O que aconteceria se a Ygritte de Game of Thrones e o Dr. Victor Frankenstein de Penny Dreadful saíssem em Lua de Mel em uma Cabana na Floresta? O diretor e roteirista estreante Leigh Janiak tem a resposta, se é que podemos dizer que Honeymoon oferece alguma resposta para suas inúmeras perguntas…

O filme acompanha Bea (Rose Leslie) e Paul (Harry Treadaway), um apaixonado casal em lua de mel, que decide passar este momento especial na isolada cabana da família de Bea. É de conhecimento geral do público de terror que cabanas na floresta são sinônimo de coisa ruim, mas o amor sempre fala mais alto! Já na primeira noite na casa, Bea desaparece misteriosamente, deixando Harry desesperado; ele encontra a esposa pouco depois, nua e perdida na floresta nos arredores da cabana. O que inicialmente parece ser um episódio de sonambulismo aos poucos se transforma em algo muito, muito pior.

You know nothing, Frankenstein.

You know nothing, Frankenstein.

É importante comentar que meu contato prévio com o filme foi mínimo, pois sabia apenas que a protagonista era Rose Leslie, mas posso dizer assisti Honeymoon totalmente no escuro. Sem ter visto um trailer ou imagem sequer, não tendo ideia do que esperar. Seria um filme sobre vampiros? Assassinos? Alienígenas? Zumbis? Possessão? Essa falta de conhecimento foi fator fundamental para o maior aproveitamento do filme, então não irei revelar a verdade para que você leitor tenha uma experiência similar.

A trama do filme é bem simples e é inteiramente carregada pelos dois atores, que salvo algumas poucas cenas, estão completamente isolados. O início é bem lento e explora muito a relação de Bea e Paul, repleta de amor e sensualidade, o que é fundamental para estabelecer uma conexão entre público e personagens. Nesse ponto, se faz necessário ressaltar mais uma vez a qualidade das atuações; Leslie e Treadaway, dois jovens atores que apareceram para o mundo por seus papéis marcantes em séries de televisão, formam um casal perfeito, tanto em sua paixão ingênua e promessas de amores eternos quanto nos momentos de crise, constantes após o desaparecimento de Bea na noite escura. Tanto nos longos diálogos quanto nas cenas de pura sensualidade, os dois parecem realmente ter a chama da paixão ardendo, perfeitamente sincronizados. São, sem dúvidas uma das melhores duplas em cena no terror de 2014 (A Vida depois da Beth manda lembranças).

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A lenta transformação deste relacionamento proporciona um envolvimento profundo e pessoal que é o maior trunfo do filme, já que nos coloca em uma posição de ignorância frente aos misteriosos acontecimentos, semelhante aquela vivida pelos próprios personagens, evocando o primordial medo do desconhecido.

Uma das vantagens de se fazer cinema independente é a possibilidade de trabalhar com finais ousados e narrativas pouco comuns; sem se adequar as demandas do mainstream, o autor indie de qualidade tem como única limitação o financeiro, o que é facilmente superado pela criatividade, alcançando assim uma posição vantajosa quando se propõe a causar sentimentos de desconforto físico e psicológico no público. Honeymoon é um desses filmes, capaz de fazer o público se contorcer de agonia no sofá, sem ter ideia do que esperar.

É importante ressaltar no entanto que este não é um filme para o grande público, não por ser complexo demais, mas pelo passo lento com que a história segue, especialmente no primeiro ato; ouso dizer que uma pessoa que atravessar os primeiros trinta minutos do filme e se mantiver interessado e envolvido, há de sair muito satisfeito com o resultado. No entanto, dificilmente quem que não se deixar levar pelo início terá uma impressão positiva do filme.

Honeymoon ainda não é o grande filme de horror do ano, talvez pelas limitações intrínsecas da narrativa, mas sem dúvida deixa uma forte impressão com seu clima de gelar a espinha e já tem lugar garantido no meu tradicional top 15 anual de horror.

Diretor: Leigh Janiak
Ano: 2014
Nota: 4/5
Top 15: 7/15

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2 comentários sobre “Honeymoon

  1. Esplêndido texto, meu caro autor!
    Consegues abordar o tema, sem revelar absolutamente nada sobre a trama real.
    Minhas sinceras congratulações!
    Acompanharei de perto vossas publicações (bem de perto)!

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