ABCs of Death 2

26 Letras, 26 curtas, 26 diretores. Essa é a proposta da antologia de terror ABCs da Morte que retorna um ano após o lançamento do primeiro filme trazendo uma nova safra de cineastas, temas e loucuras, em forma de animação,

No lugar de um simples review do filme, preferi dissecá-lo e falar um pouco sobre cada um dos segmentos que o compõem. No geral, ABCs da Morte 2 se mostra muito mais consistente que o filme original, apresentando uma menor oscilação tanto de temas quanto de qualidade. Nenhum dos curtas chega ao nível de certas atrocidades presentes no filme original e os bons aqui são superiores aos melhores de seu predecessor. Atribuo tal superioridade a um misto de experiência dos produtores e uma seleção mais elaborada de diretores e escritores. É importante ressaltar que independente de ter um nível superior no geral, o filme continua sendo uma bagunça, com temas e abordagens que passam por todos os lugares, o que é esperado de uma antologia com vinte e seis curtas feitos ao redor do mundo; alguns são repetitivos ou pouco originais, outros não fazem o menor sentido, alguns são completamente bobos e alguns são puramente chocantes e controversos.

Uma das partes mais interessantes da experiência que é assistir ABCs da Morte 2 é tentar adivinhar qual será o nome do curta metragem a partir da letra e quem é o diretor responsável por cada filme. Para quem não tiver tanto interesse nessa parte, fica a lista comentada dos curtas:

A is for Amateur – Dirigido por E.L. Katz (Cheap Thrills)

O curta é uma paródia de filmes de assassinato/ação, tem bem pouco de horror apesar da elevada sanguinolência o que o torna um pouco estranho quando comparado a outros segmentos, mas o humor negro e a criatividade tornam a letra A bem divertida.

Nota: 3.5/5
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B is for Badger (Texugo) – Dirigido por Julian Barrat (Barrat é mais ator que diretor, seu último trabalho conhecido foi o insano A Field in England)

Este segmento é um dos mais fracos, completamente sem propósito e sem graça, apenas mostra uma equipe de filmagens discutindo o desaparecimento de texugos próximo a uma usina nuclear quando são atacados por um monstruoso texugo radioativo que não aparece nem sequer de relance. Curtas como esse são tão irrelevantes que são fadados a cair no esquecimento absoluto.

Nota: 2/5
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C is for Capital Punishment (Pena de Morte) – Dirigido por Julian Gilbey (Um Lugar Solitário Para Morrer)

O terceiro curta tenta condensar um enredo mais amarrado dentro de um tempo curto, sendo assim um dos poucos a fazer algum sentido, mas tal objetivo não foi plenamente alcançado, já que é um pouco confuso. Vale a pena ressaltar aqui uma das sequências mais brutais de assassinato já vistas, talvez a cena de decapitação mais realista e violentas que o cinema de horror já viu.

Nota: 3/5
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D is for Deloused (Deloused tem uma tradução complicada, remete a algo como retirar piolhos de alguém) – Dirigido por Robert Morgan (Diretor focado em animações “alternativas”)

Esta animação é provavelmente uma das coisas mais insanas que já tive a oportunidade de ver. Longe de fazer qualquer sentido racional, é uma animação que consegue ser horrenda mas ao mesmo tempo muito atrativa e intrigante com seu visual fantástico e surreal. Assim como o segmento T is for Toilet no primeiro filme, esta animação chocante é uma das partes mais interessantes de ABCs da Morte 2.

Nota: 4/5
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E is for Equilibrium – Dirigido por Alejandro Brugués (Juan dos Mortos)

O diretor do divertidíssimo Juan dos Mortos é o responsável por um dos mais fracos, se não o mais fraco segmento de ABCs da Morte, completamente chato e bobo, falha miseravelmente em qualquer que tenha sido seu objetivo e não pertence de forma alguma a um filme com temáticas de horror.

Nota: 1/5
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F is for Falling (Queda) – Dirigido por Navot Papushado (Big Bad Wolves)

Big Bad Wolves é um dos filmes mais inteligentes e bem escritos de 2013, mas aqui em ABCs da Morte o diretor e escritor faz um trabalho risível, digno de ser esquecido de tão chato. Assim como o segmento anterior, parece perdido em meio aos curtas de terror.

Nota: 1.5/5
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G is for Grandad (Avô)- Dirigido por Jim Hosking

O fato do responsável por Grandad não ter nenhum trabalho relevante é justificável pela falta de qualidades deste curta. O segmento não apresenta nada de interessante ou criativo, parece apenas ser forçadamente estranho, mais um para a lista dos que serão esquecidos em um piscar de olhos.

Nota: 1/5
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H is for Head Games (Jogos Mentais) – Dirigido por Bill Plympton (Animador e cartunista)

A animação louca de Head Games remete as ilustrações surreais do filme/musical The Wall da banda Pink Floyd. Formas humanas se transformam e tentam se aniquilar em traços rabiscados que fluem de maneira fantástica. É um curta que pode não fazer o menor sentido para o público menos atento mas que tem um valor artístico e crítico bem interessante.

Nota: 3/5
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I is for Invincible (Invensível) – Dirigido por Erik Matti (Diretor Filipino)

Esse é um dos segmentos mais divertidos, bem violento e com uma maquiagem fantástica, narra a tentativa frustrada de uma família de matar a própria matriarca para herder sua fortuna. Um dos curtas menos pretensiosos e mais simples de todo o filme, aparentemente uma boa receita!

Nota: 3/5
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J is for Jesus – Dirigido por Dennison Ramalho (Ninjas)

J é a parte brasileira do filme, dirigido por Dennison Ramalho, cineasta que tem feito um nome para si mesmo no horror brasileiro com alguns curta metragens que abordam temas tradicionais brasileiros, como a violência urbana e o nosso sincretismo religioso. O segmento de Dennison aqui não é diferente e aborda uma questão bem comum no país que é a batalha eterna travada por religiosos extremistas contra o homossexualismo. É realmente interessante ver um filme de terror com aspectos da nossa própria cultura, mas o segmento não chega a impressionar, a não ser pela maquiagem extraordinária.

Nota: 3/5
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K is for Knell (outro nome de tradução confusa, Knell se refere a uma espécie de som que anuncia a morte ou alguma tragédia) – Dirigido por Bruno Samper (Diretor estreante).

Knell é um dos meus curtas preferidos no filme, bem surreal e intrigante, foi um dos poucos que realmente pegou minha atenção e me fez questionar e imaginar o destino da personagem após o contato com a misteriosa gosma negra que estava enlouquecendo pessoas.

Note: 4/5
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L is for Legacy (Legado) – Dirigido por Lancelot Oduwa Imasuen (Diretor Nigeriano bem pouco conhecido)

É difícil explicar como algo desse nível foi selecionado para ser parte do filme, completamente amador, sem mérito algum seja em termos de enredo ou imagem. Talvez seja um julgamento pesado demais para um filme de pouco tão recurso, mas passa a impressão de estar incluído no curta apenas para cumprir tabela.

Nota: 0.5/5
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M is for Masticate (Mastigação) – Dirigido por Robert Boocheck (Concurso)

A letra M foi decidida através de um concurso em que qualquer interessado deveria submeter à análise um curta metragem relacionado a letra M. Entre vários curtas interessantes que eu mesmo quis participar mas infelizmente não consegui, o vencedor foi Mastigação, um curta metragem que se destaca pelo visual magnífico, completamente filmado em câmera lenta. Considero o trabalho de Robert Boocheck inferior ao de outros concorrentes como por exemplo M is for Marriage de Todd Freeman, que terá uma versão cinematográfica lançada em 2015.

Nota: 2.5/5
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N is for Nexus – Dirigido por Larry Desseden (I Sell the Dead)

Estranho conto de Halloween que apresenta três histórias que se cruzam de forma trágica. O curta é interessante, bem amarrado e bem feito, mas não se destaca em nada e acaba sendo outro curta fácil de ser esquecido.

Nota: 2.5/5
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O is for Ochlocracy (Regra da Máfia) – Dirigido por Hajime Ohata (Diretor Japonês)

Depois de atrocidades feitas pelos japoneses no primeiro ABCs da morte, recebi a letra O com um pé atrás, mas fui surpreendido por um dos segmentos mais criativos de todo o filme, envolvente, engraçado e inteligente, uma abordagem original no subgênero Zumbi que é muitíssimo bem vinda!

Nota: 4/5
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P is for P-P-P-P-Scary (?) – Dirigido por Todd Rohal

O que dizer sobre esse segmento? Quando comecei a escrever esses comentários, imaginei que L fosse o pior, mas acho que o posto ficará com P. O título já não faz sentido algum, o curta em si é uma bobajada sem fim que não remete ao gênero horror em momento algum. É tão ridículo que se torna difícil de explicar, apenas uma tentativa de ser “estranho e cool”.

Nota: 0.5/5
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Q is for Questionnaire (Questionário) – Dirigido por Rodney Ascher (Diretor de alguns curtas pouco conhecidos)

Uma coisa notável sobre ABCs da Morte como um todo é o trabalho de maquiagem quando o assunto é gore, como o apresentado aqui. Q tem uma história sem pé nem cabeça sobre um grupo de cientistas que pretendem colocar um cérebro humano em um macaco. É uma pequena história até interessante, mas que também não tem lá muitos méritos além de um pouco de gore de qualidade.

Nota: 2.5/5
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R is for Roullete (Roleta Russa) – Dirigido por Marvin Kren (Blood Glacier)

Um dos únicos segmentos em ABCs da Morte 2 que se passa em uma época diferente da atual. Filmado em preto e branco, mostra três pessoas em um jogo de roleta russa que na verdade é apenas um passatempo para algo muito pior… O mistério é a palavra chave para a letra R!

Nota: 3.5/5
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S is for Split (Separação) – Dirigido por Juan Martínez Moreno

Minha primeira impressão foi de estar assistindo um curta feito por Miguel Angel Vivas, por ser bem semelhante ao filme Sequestrados, ambos abordando o tema de invasão a domicílio com twists agressivos. Apesar da semelhança grande, o responsável por S é outro diretor Espanhol de pouco renome, pelo menos fora da Espanha.

Nota: 3/5
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T is for Torture Porn – Dirigido pelas irmãs Soska (American Mary)

Torture Porn é um dos subgêneros mais populares de terror nos últimos anos, mas aqui as irmãs Soska brincam com o nome do gênero criando um curta metragem que é literalmente pornô de tortura, que apresenta uma criatura torturando e abusando sexualmente de um grupo de cineastas do mundo pornô. Uma loucura típica das irmãs que tem se tornado referência em Horror contemporâneo.

Nota: 3.5/5
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U is for Utopia – Dirigido por Vincenzo Natali (Possuídas)

U é um dos curtas mais interessantes da antologia pelo seu visual refinadíssimo de primeira categoria. Os efeitos especiais e produção acima da média são indícios de que se trata de um diretor com uma bagagem boa de filmes. O enredo é sutil mas inteligente e com certeza seria material para um bom filme.

Nota: 3.5/5
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V is for Vacation (Férias) – Dirigido por Jerome Sable (Stage Fright)

Como estamos no auge dos filmes found footage, era de se esperar que pelo menos um dos segmentos se adequasse ao subgênero. Felizmente foi nas mãos de um diretor competente, o que resultou em um curta agressivo e chocante. Vale a pena ressaltar que a reta final de ABCs da morte é acompanhada de um aumento na qualidade dos curtas.

Nota: 3.5/5
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W is for Wish (Desejo) – Dirigido por Steven Kostanski / Astron 6 (Father’s Day)

Não é nenhuma surpresa que W tenha o envolvimento da Astron 6, ninguém mais poderia fazer cenários tão fantásticos e brutalmente divertidos quanto eles. Misturando um pouco de He-man com visões do inferno, o filme é exageradamente violento e absurdo, mas ainda assim bastante divertido, como todos os outros filmes feitos por esses caras.

Nota: 3.5/5
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X is for Xylophone – Dirigido por Alexandre Bustillo e Julien Maury (A Invasora)

No momento em que a câmera focou em Béatrice Dalle sabia que estava prestes a ver algo terrivelmente violento pois estava assistindo nada mais nada menos que o meu segmento mais aguardado, dirigido pela dupla doentia Alexandre Bustillo e Julien Maury, responsáveis pelo insano A Invasora. X é tão antiético e chocante que eu ouso dizer que se trata da coisa mais próxima que jamais teremos de uma continuação para o filme gore francês A Invasora, de 2007.

Nota: 4.5/5
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Y is for Youth (Juventude) – Dirigido por Soichi Umezawa (Diretor estreante)

Mais uma vez cheguei a um curta japonês com um pé atrás, esperando uma tragédia, mas tive nova surpresa com um curta extremamente bem bolado no qual a imaginação de uma jovem cria as mais diversas monstruosidades. Efeitos especiais fantásticos e um enredo envolvente fizeram de Y uma das grandes surpresas.

Nota: 4.5/5

Z is for Zygote (Zigoto) – Dirigido por Chris Nash (Diretor de curtas)

Falando sobre surpresas… Z é a maior de todas em ABCs da Morte 2 com folga, um curta com uma proposta original e muito, mas muito ousado ao tratar o tema de gravidez de forma completamente doentia e regada a sangue e tripas. Imprevisível e completamente insano, é o melhor curta de todo o filme, talvez até que qualquer um do filme anterior.

Nota: 5/5
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ABCs da Morte:

O resultado final pode não agradar muito pela irregularidade da qualidade e a variação de temáticas, mas é realmente uma melhora com relação ao primeiro filme.

Nota: 3.5/5

ABCs da Morte 2 não alcançou o Top 15 de filmes de terror de 2014.

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2 comentários sobre “ABCs da Morte 2 (2014)

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