The Town that Dreaded Sundown (2014)

Diretor: Alfonso Gomez-Rejon

Quando o assunto é o subgênero Slasher, “Halloween” de John Carpenter é sempre o primeiro filme a ser mencionado como precursor, o filme que deu origem ao assassino mascarado e sua eterna perseguição sem resultado à sua “final girl”. O que poucos sabem é que dois anos antes de Halloween, um outro diretor deu sua pequena contribuição ao subgênero horror ao introduzir um dos primeiros assassinos em série mascarados no filme “Assassino Invisível” (1976), inspirado em uma série de assassinatos reais que ocorreram na cidade americana de Texakarna poucos meses após o fim da segunda guerra mundial e também pelo reinado de terror do Zodíaco, que terminava naquela época. O diretor Charles Pierce, que aparentava ter um apreço por falsos documentários, vide seu filme fantástico “A Lenda de Boogey Creek” (1972), fez o filme “Assassino Invisível” como um misto de thriller policial, terror e documentário investigativo, com um narrador detalhando o retorno do assassino que aterrorizou a cidade nos 40, para mais uma sequência de assassinatos brutais. Com o passar dos anos, o filme original ganhou o status de filme cult, apesar de nunca ter sido um grande filme ou um marco do cinema de terror. Agora em 2014 o filme ganhou um remake, ou seria uma sequência?

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“Assassino Invisível”, do diretor Alfonso Gomez-Rejon, estreando no cinema após o sucesso estrondoso com a série de televisão “American Horror Story”, aparece inicialmente como um remake do filme de 76, mas é na verdade um jogo metalinguístico com o filme original. No universo deste novo filme, o original de 76 existe e é parte da cultura popular da cidade, sendo exibido anualmente e mantendo viva a memória dos terríveis assassinatos que lá ocorreram. É em uma dessas sessões anuais de “Assassino Invisível” que o infame assassino, chamado pela população de fantasma ou até bicho-papão, faz sua primeira vítima, 66 anos depois do primeiro crime. O assassino ataca um casal, toma a vida do rapaz violentamente e deixa a mocinha viver para espalhar a notícia de seu retorno pela cidade, que mais uma vez voltou a temer o pôr-do-sol.

Se o primeiro filme trazia um assassino semelhante ao Zodíaco, um homem comum mascarado atacando casais a tiros e golpes de faca, esta revisitação trás um assassino mais inspirado em Jason Voorhees ou Michael Myers. De porte físico ameaçador e uma brutalidade chocante, o novo Assassino Invisível tem como principal “aliado” uma equipe de efeitos especiais capaz de criar algumas das cenas mais fortes e agonizantes de mutilação do ano, de olhos estourados a fraturas expostas, não há economia de sangue. A matança desenfreada é acompanhada do mesmo estilo investigativo do filme original, mas dessa vez mais focado em uma personagem feminina, cujo destino já foi contado e recontado em quase trinta anos de filmes Slasher. A jovem vai aos poucos buscando resolver o mistério, paralelamente à polícia que parece não fazer um bom trabalho.

Um dos poucos problemas notáveis do filme é o excesso de personagens pouco desenvolvidos. Alguns personagens como o Xerife Morales (Anthony Anderson) e Charles B. Pierce Jr. (Dennis O’Hare, conhecido por American Horror Story) são completamente subaproveitados na trama, mesmo sendo personagens que podiam acrescentar bastante ao filme, especialmente um ótimo ator como Dennis O’Hare, mas acabam apenas cumprindo papéis específicos em algumas cenas chave do filme e nada mais.

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É importante ressaltar que os efeitos de mutilação e sangue não são os únicos elementos visuais do filme que impressionam. “Assassino Invisível” possui um visual retrô que está em voga no cinema de terror atual, aqui, parecendo flutuar entre os anos 1976 e 2014. A habilidade cinematográfica de Gomez-Rejon sobra no filme, que tem o mesmo visual atrativo mas ao mesmo tempo bizarro tão característico de American Horror Story, muitas vezes parecendo uma grande sequência de sonho saída direto da obra de David Lynch (Cidade dos Sonhos, Twin Peaks), além de câmeras em ângulos totalmente incomuns, constantemente em movimento nos cenários da pacata cidade. A edição final também é de encher os olhos. Em termos de cinematografia, “Assassino Invisível” já é o filme de terror mais marcante do ano.

Por trás do visual fantástico, existe um enredo sólido em constante diálogo meta-linguístico com o filme original, o que torna a experiência como um todo muito interessante não apenas como filme de terror mas também como obra cinematográfica, garantindo aí sua posição entre os melhores filmes de terror do ano de 2014.

Nota: 4/5
Top 15 2014: 6/15

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Um comentário sobre “Assassino Invisível (2014)

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