Diretor: Gerard Johnstone

Enquanto os grandes lançamentos do Horror continuam dividindo público e crítica, os festivais de cinema de gênero pelo mundo a fora continuam surpreendendo e renovando com filmes assustadores, divertidos e originais. Um dos mais bem recebidos do ano é o Neozelandês Housebound, filme de estréia no cinema do diretor Gerard Johnstone, protagonizado por um elenco bem pouco conhecido fora do país de origem.

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Housebound, palavra inglesa que significa “confinado em casa”, normalmente se referindo a pessoas adoecidas, aqui se refere a personagem principal Kylie Bucknell (Morgana O’Reilly), que após uma tentativa frustrada de assalto é presa e obrigada a ficar em prisão domiciliar na casa dos pais da qual fugiu ainda jovem, utilizando uma tornozeleira de monitoramento. O problema começa quando a jovem rebelde percebe que existe algo muito errado na casa de seus pais que pode nem ser desse mundo.

O grande diferencial de Housebound é ser uma comédia/terror, ou um terrir, um sub-gênero que tem produzido muitos filmes nos últimos anos, muitos de qualidade duvidosa. Um dos gêneros mais complicados de se trabalhar, as comédias de terror demandam um balanceamento muito grande entre os gêneros para funcionar, sem que caia demais no lado da comédia e falhe em causar incômodo ou medo, ou sem que tenha uma linha de humor definida, correndo o risco de se tornar uma abominação que não convence em nenhum dos dois objetivos. Esse balanceamento foi perfeitamente alcançado por exemplo no aclamado “Tucker e Dale contra o Mal” (2010), que faz piada com o gênero Slasher. É necessário então para um bom filme no subgênero um roteiro inteligente e consciente de seu próprio humor, além de uma direção capaz de transmitir essa balanceamento de gêneros tão opostos do papel para a imagem. Em Housebound, o roteirista e diretor Johnstone é bem sucedido ao caminhar sobre essa linha tênue, criando um filme que consegue ter seus momentos de tensão no melhor estilo casa mal-assombrada, mais até que muitos filmes sérios no subgênero, mas ao mesmo tempo traz um humor negro inteligente, abusando de situações inesperadas e bizarras, sem deixar de lado o gore e o sangue, a exemplo de uma luta pela sobrevivência envolvendo um ralador de queijo e um cesto de roupa suja.

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O enredo se desenvolve lentamente, com personagens que surpreendem por suas ideias e comportamentos absurdos que a todo tempo quebram expectativas, tornando o humor simples, muitas vezes sutil mas genuinamente engraçado. A história guarda uma revelação que provavelmente será inesperada para a maioria, mas para aqueles que acompanham o terror nos últimos anos não é tão surpreendente, já que um filme com um conceito bem parecido foi lançado a pouco tempo. Housebound também não se aventura muito no gênero, mantem uma zona de conforto no qual tudo funciona bem. Essa opção por jogar de forma de segura garantiu a qualidade do filme mas ao mesmo tempo o impediu de ir além do esperado para ser um marco no subgênero.

Enquanto o filme pode não ter sido único ou revolucionário em termos de enredo, é um excelente exemplo do poder de um roteiro amarrado e inteligente, que é capaz de causar risos sem perder o passo, sem sair do clima tenso, resultando em uma experiência bem divertida.

Nota: 4/5
Top 15 2014: 13/15

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Um comentário sobre “Housebound (2014)

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