V/H/S: Viral (2014)

V/H/S Viral

Diretores: Justin Benson, Gregg Bishop, Todd Lincoln, Aaron Moorhead, Marcel Sarmiento e Nacho Vigalondo.

VHS Viral é a terceira parte do que até então é uma trilogia que une dois subgêneros do terror, as antologias, filmes compostos por várias histórias menores dirigidas por pessoas diferentes e o found footage ou filmagens em primeira pessoa. A ideia é ousada, já que une dois estilos que demandam uma habilidade grande para resultar em algo interessante e que tenha sentido em um tempo curto e limitado ao ponto de vista de um ou mais de um personagens e surgiu em 2012 com o primeiro filme da série que trouxe diretores em ascensão tais como Ti West, Adam Wingard e Simon Barret. No filme original, um grupo de assaltantes entra em uma casa e se depara com uma bizarra coleção de fitas de vídeo VHS contendo registros das mais diversas monstruosidades e acaba pagando um preço alto por tal descoberta. O segundo VHS superou o original em quase todos os quesitos para a maior parte do público e crítica. Mantiveram o conceito de pessoas encontrando as fitas de conteúdo macabro e se tornando vítimas das mesmas, mas os seguimentos foram muito mais ousados e violentos, destaque para “Safe Haven”, fruto doentio da parceria entre Gareth Evans (The Raid) e Timo Tjahjanto (Macabre). Contrariando as expectativas criadas pelo segundo filme, a terceira parte da franquia de relativo sucesso foi recebido com muitas críticas negativas, que acredito não fazerem justiça ao filme como um todo.

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VHS Viral já começa com uma premissa diferente das anteriores. “Vicious Circle” (ou Ciclo Vicioso) escrito e dirigido por Marcel Sarmiento (Deadgirl – 2008) é a história que teoricamente deveria amarrar os seguimentos, relacionada ao poder viral da comunicação atual, mostra um jovem que quer alcançar o sucesso através da internet mas acaba se envolvendo em uma campanha viral sobrenatural. Essa mudança é sem dúvidas o maior e principal defeito do filme, já que foge da proposta dos anteriores, não apresenta nenhuma organização lógica para a apresentação dos seguimentos e é uma sequência de imagens frenéticas que juntas fazem pouco ou nenhum sentido, não só é difícil de distinguir o que está se passando como é ainda mais complicado inferir algum sentido de tamanha bagunça visual.

O primeiro seguimento é então apresentado alguns minutos depois de uma introdução confusa. “Dante – The Great” (ou Dante – O Grande), dirigido por Gregg Bishop (Dança com os Mortos – 2008), conta a história de um homem fracassado que encontra um manto mágico, que o transforma em um sucesso instantâneo com seus truques fantásticos que eram na verdade magia, magia negra. Para continuar exercendo seu poder, o manto precisava ser alimentado com vidas humanas. O seguimento é interessante e tem algumas cenas muito boas de “magia”, mas foge completamente do conceito de VHS por ser um falso documentário editado e com cenas normais intercaladas. Sem aquela imagem suja e sem cortes e edição que se espera das tais fitas, torna-se algo fora de lugar no filme e sem o mesmo impacto que os outros e nem sequer sombra de terror ou tensão.

O segundo seguimento, “Parallel Monsters” (ou Monstros Paralelos) chama a atenção facilmente pelos diálogos em espanhol. Pouco após a apresentação dos personagens, é introduzida na história uma estranha máquina de propósito desconhecido que a principio parece uma máquina do tempo, o que facilmente remete a Nacho Vigalondo, responsável por um dos melhores filmes de ficção científica do século XXI, “Crimes Temporais”(Timecrimes – 2007) e que assina este segundo seguimento em V/H/S Viral. Pela genialidade bizarra de Crimes Temporais, Monstros Paralelos era um dos seguimentos mais exigidos e ainda assim consegue ser surpreendente positivamente pelo conceito completamente único e doentio do curta que mostra dois mundos paralelos se encontrando através de um experimento científico, com consequências terríveis para os dois lados. É importante ressaltar que o conceito utilizado aqui não é do tipo que agrada a todos, mas remete bastante aos efeitos especiais e monstros dos anos 80, obviamente agradando mais um público mais apegado ao oldschool.

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O terceiro e último seguimento, escrito e dirigido por Justin Benson e Aaron Moorhead (Resolution – 2013) é a melhor parte de VHS Viral e ocupa a segunda colocação geral considerando todos os filmes da franquia, atrás apenas de Safe Haven (VHS 2). Entitulado “Bonestorm” (ou Tempestade de Ossos), acompanha um grupo de jovens skatistas que resolvem ir para o México para “curtir” a vida, o que inclui álcool, drogas e skate. O grupo de jovens é dos mais irritantes, o que deixa a primeira metade de “Tempestade de Ossos” bem incomoda, mas no momento em que eles sem querer ativam um ritual das trevas o filme toma um rumo completamente insano, além de qualquer imaginação. O segundo ato coloca os dois jovens lutando furiosamente contra um grupo de membros de um culto satânico e esqueletos ambulantes que tentavam invocar o demônio. A genialidade dos dois diretores é colocada a prova com sucesso através das imagens e sequências brilhantes, regadas a sangue e muita ação. Se você não conhece a dupla, fique atento a esses nomes!

Ao contrário dos dois filmes anteriores, V/H/S Viral abriu mão do ambiente sombrio e sujo em prol de um tom mais leve e até mais divertido mas não menos fantástico. Muito mais rápido e dinâmico, o filme não constrói o clima de medo e expectativa, o que causa um certo estranhamento, não necessariamente uma coisa ruim, mas que não é uma combinação tão boa. V/H/S é um conceito que pode viver por muito mais tempo, só precisa saber acertar na escolha dos diretores e focar no clima mais sombrio e imagens mais cruas e feias que remetam realmente a um V/H/S, caso contrário, citando um amigo que não é muito fã da franquia, os filmes vão acabar se chamando “D/V/D” ou “Blu/Ray” em breve.

Nota: 2.5/5
V/H/S Viral não alcançou o Top 15 anual.

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