Diretor: Adam Robitel

Quando Mia Medina decide gravar para sua tese de PhD a vida cotidiana de Deborah Logan, mulher que sofre de Alzheimer, rapidamente percebe que algo terrivelmente maligno, muito pior que a doença, está tomando controle de Deborah.

Não se deixe enganar pela sinopse genérica, pelo trailer cliché ou pelo nome horrível. “The Taking of Deborah Logan” é um filme que veio para se destacar dentro de um gênero que tem se esgotado rapidamente pelo excesso de produções, o found footage/falso documentário. Filme de estréia de Adam Robitel, The Taking é o pseudo-documentário produzido por uma estudante como parte de sua tese, no qual ela deveria acompanhar Deborah Logan, uma senhora que sofre do mal de Alzheimer e as implicações da doença no cotidiano dela e da família. Sem muitas delongas, a criadora do documentário se apresenta e dá um panorama geral do que pretende fazer e logo a equipe de cinegrafistas parte para a casa da família Logan, onde são bem recebidos pela excêntrica Sarah (Anne Ramsay), uma das personagens mais interessantes do filme, diga-se de passagem. Sarah então apresenta a equipe de filmagem à sua mãe, Deborah Logan, uma senhora que é pura elegância e charme na terceira idade, pelo menos até o mal se manifestar…

The-Taking-of-Deborah-Logan-2014-DAntes de fazer uma análise do filme em si, gostaria de fazer um comentário sobre os personagens, que são ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa de “The Taking of Deborah Logan”. Como mencionado anteriormente, Anne Ramsay tem uma performance excelente como uma filha disposta às mais diversas provações para ajudar a mãe que nem sempre foi das mais boazinhas. O grande destaque do filme no entanto é para Jill Larson, que entrega a performance mais inspirada no gênero horror do ano; Jill já havia dado indícios de ser incrivelmente bizarra com sua breve aparição no filme “Ilha do Medo (2010)”, como uma paciente louca do hospital psiquiátrico, mas aqui ela se transforma diante dos nossos olhos de uma elegante senhora para uma criatura deformada e assustadora, uma figura decrépita capaz de causar arrepios e desconforto ao fã de terror mais calejado. Menção especial para uma cena no último ato que vai deixar todo e qualquer espectador de queixo caído e cabelo em pé!

Jill Larson em Ilha do Medo

Em compensação, a equipe de filmagem é fraquíssima. A suposta candidata ao PhD Mia Medina não convence como uma pessoa profissional em momento algum, sem um desenvolvimento decente, passa no máximo a imagem de uma universitária, o que tira o impacto de seu projeto. Um dos cinegrafistas que tem participação mais ativa se apresenta como um homem impaciente e que não tem a menor sensibilidade para lidar com a personagem doente. Considerando que ele é parte de um projeto de estudo da doença e que deveria acompanhar a senhora com Alzheimer por vários meses, hospedado na casa dela, vê-lo tratá-la como se fosse apenas uma velha chata logo no primeiro dia não condiz com o documentário em si e não tem função alguma no filme.

O objetivo inicial de gravar um documentário sobre a doença se perde rapidamente com a irrelevância da personagem de Mia Medina frente aos trágicos acontecimentos na vida de Deborah Logan e o mistério tenebroso que a cerca. Ao contrário de “O Último Exorcismo (2010)”, por exemplo, em que se questiona o limiar entre a doença e a possessão demoníaca, em nenhum momento é possível questionar se Deborah não sofreria apenas de Alzheimer como inicialmente diagnosticado, uma manipulação do tema que poderia ser chocante. O elemento sobrenatural se apresenta de forma relativamente leve durante praticamente todo o filme, deixando os arrepios por conta da brilhante performance de Jill Larson acima descrita. A trama construída não é das mais originais, aborda um pouco da doença, rituais satânicos e assassinatos em série, chega a fazer uma breve incursão ao gênero Thriller policial, mas sem nunca abandonar completamente o horror. É notável aí uma tendência do cinema de terror contemporâneo de fazer filmes contidos, pouco ousados, que não se arriscam muito ao usar elementos de diferentes gêneros na tentativa de criar algo novo. Em momento algum essa transição entre horror e thriller policial decola, deixando uma constante sensação de que a trama foi subaproveitada. É difícil identificar até onde essa contenção é uma falha dos próprio autores na hora de desenvolver o enredo ou se uma demanda dos estúdios e produtores para não sair da zona de conforto. Mas uma coisa é certa, o uso de um falso documentário como estrutura narrativa se mostrou uma grande limitação para o enredo, que poderia ter sido muito melhor trabalhado em um filme comum.

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Por mais que não saia dessa zona de conforto, The Taking of Deborah Logan tem ótimos momentos, com uma cena em particular que é forte candidata a melhor cena de terror do ano. Resumindo, é um filme que desperdiçou muito potencial para ser melhor mas ainda vale a pena ser conferido em um ano que já deixou mais de quinze filmes de estilo semelhante pelo caminho, poucos deles dignos de nota.

Nota: 3.5/5

Top 15: 14/15

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Um comentário sobre “The Taking of Deborah Logan (2014)

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