Diretor: Adrián García Bogliano

Ambrose McKinley, um veterano de guerra cego, muda-se para uma casa de repouso e quando os residentes começam a aparecer mortos, ao que tudo indica atacados por um cão, ele logo percebe que há algo errado. Depois dele mesmo sobreviver a um ataque ele começa a crer que o assassino não é um mero cão.

Dentre os grandes monstros clássicos do cinema de terror O Lobisomem é aquele que teve a trajetória mais inconstante, com poucos filmes de grande sucesso. Sempre pareceu um subgênero marginalizado dentro de um gênero marginal. Enquanto seus frequentes inimigos, os vampiros, sofreram nas mãos de histórias e versões medíocres, o Lobisomem parece ter sido esquecido. 2014 no entanto chegou com o intuito de trazer os magníficos e brutais licantropos de volta aos holofotes, graças a filmes como “Wer”, “WolfCop”, “Wolves” e “Late Phases”. Sem nenhuma semelhança sequer entre si, fora a presença do monstro lupino, esses filmes variam de decepções – “WolfCop” talvez a maior delas – e boas surpresas – Wer e “Late Phases”. Optei aqui por escrever um comentário sobre “Late Phases” que considerei o melhor do ano, seguido de perto de “Wer”.

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Adrián García Bogliano, que dirigiu o fantástico “Aí Vem o Diabo” em 2013, retorna ao gênero horror com um filme menos sombrio, sobre um veterano de guerra cego que deve enfrentar Lobisomens após se mudar para um pequeno vilarejo. A sinopse pode arrancar sérias dúvidas sobre a viabilidade de se combater lobisomens sendo desprovido de visão, mas aí entra o maior mérito do filme, o desenvolvimento de personagem. Por quase toda a duração do filme, acompanhamos o desenvolvimento do veterano Ambrose, enquanto se adapta a um novo círculo social e encontra uma nova guerra para combater, uma guerra contra o sobrenatural. Interpretado por um inspirado Nick Damici, o personagem esbanja personalidade com seu ar ranzinza e sua inseparável pá, que o tornam impopular no bairro, mas ao mesmo tempo sua motivação é tão humana, que o envolvimento com o enredo se torna um processo natural.

O ambiente ao redor de Ambrose também é favorável, já que todo o elenco parece envolvido com seus próprios personagens e existe um ar relativamente leve e estranho em torno do filme, que em contraste com a violência dos Lobisomens deixa um ar bizarro naquela comunidade. O filme que se passa na maior parte durante o dia, opta por mostrar o esplendor de seus monstros apenas nas cenas noturnas, ferramenta tradicional que é aliada dos efeitos práticos.

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O visual dos lobisomens é sempre um comentário a parte no subgênero. Sem um visual pré definido, que tem variado frequentemente nos filmes, o diretor busca influências nas criaturas dos anos 80, sem usar efeitos digitais no design do monstro, o resultado é uma fera que pode causar estranhamento no público mais jovem, já que tem um aspecto de “roupa de lobisomem”. No entanto a maquiagem e efeitos são característicos de um período fantástico do horror e garante um retorno aos 80 que nem de longe é tão forçado como em “WolfCop”, por exemplo. Com orelhas pontudas, a lá “Grito de Horror” (1981), os monstros promovem uma boa dose de carnificina, derramando sangue para todos os lados. Destaque para uma cena de transformação marcante, no melhor estilo “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981).

Late Phases é um filme leve (em atmosfera, porque o gore tem lugar garantido) e bem divertido, que conquistou seu lugar entre os filmes mais marcantes de 2014 exatamente por tirar proveito de sua simplicidade para fazer algo original, que foge das alegorias tão comuns do gênero, mas que não deixa de prestar referências aos clássicos do gênero.

Nota: 3.5/5

Top 15: 15/15

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2 comentários sobre “Late Phases (2014)

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