Wallace Bryton (Justin Long), narrador de um podcast, desaparece misteriosamente no interior do Canadá. Seu melhor amigo e parceiro, Teddy (Haley Joel Osment) decide procurar por ele, contando com a ajuda da namorada do desaparecido, Allison (Genesis Rodriguez), nesta busca. O que eles não imaginam é que Wallace está nas mãos do misterioso marinheiro Howard Howe (Michael Parks), que tem o estranho plano de criar uma morsa humana.

O anúncio do filme Tusk sacudiu o cenário do horror no começo do ano, por marcar o retorno do diretor Kevin Smith ao gênero. Kevin Smith fez sucesso com filmes que diga-se de passagem estão bem distantes do terror, como os filmes de comédia Clerks I e II, conhecidos no Brasil como O Balconista. O humor ácido e carregado de referências a cultura pop tão característicos do diretor se fazem presentes em Tusk, que também leva uma dose cavalar de humor negro. A ideia ridiculamente engraçada do filme surgiu em um podcast do diretor em que ele encontrou um anúncio na internet de um homem que estava alugando um quarto com a condição de que o hóspede se vestisse como uma morsa diariamente, por duas horas e se comportasse como uma morsa durante esse tempo. A descrição do anúncio do comportamento do homem morsa e a mente fantasiosa do diretor resultaram em um filme com uma das premissas mais insanas de todos os tempos.

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Tusk também marca o retorno de Justin Long, queridinho de muitos fãs de terror desde Olhos Famintos (2001), em um papel fantástico e uma performance entusiasmada. Long interpreta o bem sucedido radialista de humor Wallace, ou melhor um “podcaster” de sucesso, que viaja para o Canadá para entrevistar um jovem que se tornou famoso online após arrancar a própria perna com uma espada. Logo no início já fica óbvio o intuito de Kevin Smith de brincar com os estereótipos, ao debochar claramente dos supostamente engraçados vídeos virais que circulam na internet e o tipo de pessoa que curte e compartilha esse vídeo. Justin Long se mostra completamente investido no personagem que é um humorista cafajeste, ignorante e falastrão, além de ser constantemente apontado como um típico Americano e que não perde a oportunidade de fazer piadas sobre o Canadá e os canadenses.

É impossível fazer uma análise do filme sem destacar seus personagens, característica marcante de Kevin Smith que além de diretor é também o escritor. Ao contrário da grande maioria dos filmes de terror atuais, Smith faz questão de desenvolver personagens excêntricos que já se destacam de alguma forma pela simples aparência fora do padrão. Ao realmente escrever esses personagens, ao invés de simplesmente “emprestar” personagens padronizados de outros filmes de terror, Kevin Smith cria um universo envolvente no qual o destino desses personagens é importante. Esqueça aqueles diálogos clichês e vazios, em Tusk, as conversas são sempre divertidas de acompanhar e muitas vezes tomam um rumo completamente absurdo, palavra que parece definir bem o filme por sinal. Tusk é um filme completamente absurdo.

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Além de Justin Long, merecem destaque Michael Parks, que repete parceria com o diretor, ao interpretar uma espécie de cientista louco obcecado com uma ideia ridícula, algo na linha do Dr. Heiter de Centopeia Humana, mas em uma performance muito mais exagerada e cômica que a do seríssimo Dieter Laser. Uma outra grata surpresa foi Johnny Depp irreconhecível como sempre no papel do detetive meio louco Guy Lapointe, papel que pessoalmente considero o mais interessante do ator em anos. Os longos diálogos destes personagens são fantásticos, repletos de citações e histórias fantasiosas.

A famigerada e absurda transformação de Justin Long em uma morsa não é de forma alguma sanguinolenta ou gore, salvo algumas poucas cenas já anunciadas no trailer e o resultado final que não irei descrever para não estragar a surpresa macabra. Tanto o processo quanto o resultado variam de absolutamente hilários até uma das situações mais agonizantes que o cinema já viu. O misto de reações é fruto do bem sucedido balanceamento entre humor e terror alcançado por Smith e o resultado é um filme descompromissado e que não faz sentido nenhum, com cenas que qualquer pessoal normal diria ser absurdas e ridículas, mas que compõem um filme que não deve de forma alguma ser levado a sério. Sem nunca perder a consciência do quão ridículo o filme é, Tusk consegue ser muito divertido sem deixar de lado o sentimento de desconforto causado pelo experimento doentio de Howard Howe em busca da morsa perfeita. .

Filmes como Tusk são muito importantes para o cinema de horror por dois motivos: Um deles é o fato de que Kevin Smith é um diretor que não construiu carreira no gênero, trazendo assim uma perspectiva diferente mas experiente ao terror que atualmente se destaca pelo trabalho de diretores independentes e iniciantes. Além disso, Tusk é o tipo de ideia maluca da qual o terror já viveu um dia e que é completamente fora do padrão atual, uma injeção de criatividade que é muito bem vinda!

Infelizmente por um erro de cálculo lancei meu TOP 15 filmes de terror de 2014 alguns dias antes do lançamento do filme online, mas Tusk merece uma posição na lista sem dúvida alguma, motivo pelo qual farei um adendo a lista, acrescentando-o entre os melhores filmes de terror de 2014.

Nota 4/5

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