Suburban Ghotic (2015)

Raymond é forçado à voltar para a casa dos pais após passar seis meses desempregado e o que já era um pesadelo fica ainda pior quando um espírito maligno começa a assombrar a casa. Cabe a Raymond recuperar os poderes paranormais que tinha quando criança para tentar salvar a própria família com a ajuda de sua amiga Becca.

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Perante a falta de uma sinopse razoável e que fizesse algum sentido disponível na internet, fui forçado a criar minha própria “descrição” de Suburban Gothic. Mas esteja avisado, este é um daqueles filmes em que a expressão “fazer sentido” não vai… fazer muito sentido!

Em 2012, o diretor e roteirista estreante Richard Bates Jr. sacudiu o cenário independente de terror com o insano “Excision”. Filme bizarro, cheio de imagens fortes e desconexas criadas pela mente doentia da protagonista, uma adolescente com problemas em todos os aspectos de sua vida pessoal. Este primeiro filme de Bates não me agradou no entanto. Apesar de algumas sequências brilhantes, o todo se mostrou uma experiência bem cansativa e pouco envolvente. Suburban Gothic, filme que é um terrir, ou seja, um terror de comédia, representa um salto de qualidade na carreira do diretor, que se mostra ainda mais ousado e disposto a fazer seu trabalho o mais criativo e fantástico o possível.

Já de início o protagonista é apresentado em toda sua esquisitice; com um cabelo bagunçado e um cachecol lilás, o ator magricela Matthew Grey Gluber parece perfeito para o personagem. Matthew será eternamente lembrado como o Dr. Spencer Reid da série ‘Criminal Minds’, um personagem também conhecido pela excentricidade. Em ‘Suburban Ghotic’ ele interpreta Raymond, um jovem que é forçado a se mudar de volta para a casa dos pais após meses desempregado. A casa dos pais, localizada em uma cidadezinha de interior, guarda uma série de lembranças trágicas de sua infância depressiva e literalmente assombrada. Não bastasse o passado ruim, o futuro não parecia dos mais promissores. O visual “europeu” de Raymond o transformou em piada pronta para seu pai abusivo e para qualquer outro valentão que cruzasse seu caminho. ‘Suburban Ghotic’ parece um desfile de esteriótipos e personagens bizarros, sempre dispostos a disparar um comentário racista, homofóbico ou preconceituoso, mas sempre com um tom de sátira. É em meio a esse cenário que Raymond reencontra Becca, jovem rebelde que foi sua colega de sala no fundamental, interpretada por Kat Dennings, outra figurinha carimbada para os fãs de séries por seu papel como Max em ‘Two Broke Girls’.

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O reencontro com antigos afetos e desafetos se mostra o menor dos problemas de Raymond quando um grupo de trabalhadores desenterra o corpo de uma garotinha no quintal da família, libertando a ira de um fantasma sobre o pobre Raymond que desde criança manifestava poderes paranormais. O enredo de Suburban Ghotic quando relatado sem enfatizar certos elementos, não parece surpreendente ou interessante e realmente não é. A história de assombração é das mais comuns e tem a complexidade de um episódio qualquer de Sobrenatural (não considere isso uma ofensa, sou fã da série!), ou seja, é um enredo bem conhecido dos fãs. O que torna o filme interessante então?

Primeiramente, os personagens. Começando pela atuação hilária de Matthew Gluber até a agressiva e mórbida Becca com sua tatuagem escrito “Suck my dick” no braço, passando por mexicanos super estereotipados e chegando em um Ray Wise completamente doentio no papel do pai de Raymond, o filme é carregado de personagens divertidíssimos e originais, o tipo de personagem que merece um final feliz. Méritos aos escritores que criaram personagens carismáticos e ao elenco que injetou vida ao filme.

Além de personagens ótimos, o filme conta com a direção única de Richard Bates, que não se apega nem um pouco as convenções do cinema e entrega aqui outro filme super esquisito, com várias cenas desconexas e super bizarras como a cabeça flutuante assombrando o protagonista, um fantasma que arranca os próprios dentes um a um, uma das cenas de dança mais ridículas de todos os tempos e outras coisinhas mais! O filme é claramente um terrir, ou seja, tem cenas de terror propriamente dito, bem interessantes por sinal, mas também tem uma série de piadas, as vezes bem sutis, mas muito bem boladas. O filme tem um clima geral muito semelhante ao de ‘Life After Beth’ de 2014 e com certeza seriam uma sessão dupla perfeita.

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Como esperado, Suburban Ghotic tem lá seus defeitos também. Esse estilo estranho demais definitivamente não é para todos, assim como o senso de humor de Richard Bates Jr. parece ser voltado para um grupo bem seleto, ou até para ele mesmo apenas. Certas sequências são cansativas ou até constrangedoras, como a já mencionada cena de dança entre Raymond e Becca, que apesar de intencional, não deixa de ser embaraçante.

Suburban Ghotic já tem lugar garantido como um dos filmes mais esquisitos do ano e é o primeiro candidato interessante para o Top 15 de 2015. Vale ressaltar que este não é um filme para qualquer um e provavelmente será um desses filmes “ame ou odeie”.

Nota Final: 4/5

Confira o trailer de Suburban Ghotic aqui e não deixe de seguir Dead Dans também no Facebook.

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Um comentário sobre “Suburban Gothic

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