Dark Summer

Sinopse: Um jovem de 17 anos é colocado em prisão domiciliar enquanto sua mãe está longe em uma viagem de negócios. Um incidente trágico acontece envolvendo o jovem, deixando uma presença maligna na casa. 

Para melhor entender o grande problema de Verão Obscuro, se faz necessário uma breve análise bem generalista sobre como os filmes de terror funcionam atualmente. O cinema de terror atual tem duas vertentes principais, o cenário mainstream, composto pelos filmes de estúdio, ou seja, aqueles filmes com os dizeres “Dos mesmos produtores de Atividade Paranormal e Sobrenatural” nos posteres e o cenário independente, filmes de menor orçamento, que costumam ganhar destaque nos festivais e raramente tem um grande lançamento nos cinemas, como por exemplo ‘The Babadook‘ ou Starry Eyes, dois dos melhores filmes de terror de 2014. O cenário independente no entanto, acaba se dividindo também em outras duas vertentes: de um lado, filmes inovadores, com ideias fantásticas e originais, sejam de conteúdo ou de estilo, filmes que servem de referência e inspiração para o mainstream, como foi o caso do primeiro Atividade Paranormal; de outro lado, existem aqueles filmes que tentam repetir a formula de sucesso do mainstream mas não dispõem de recurso para tal, seja recurso monetário ou intelectual, resultando em filmes de baixo orçamento mas com um enredo cliché ou sem um pingo de originalidade. Como dito logo no início do parágrafo, esta análise é bem general e nem de longe cobre todas as variáveis do gênero, mas com base neste comentário, se torna mais simples localizar aonde Verão Obscuro se encaixa no cenário do horror.

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Verão Obscuro é dirigido por Paul Solet, que estreou como diretor de um longa metragem em 2009 com o interessante ‘O Mistério de Grace‘, mas nestes seis anos que separam os dois filmes, não fez absolutamente mais nada. Já o “grandioso” elenco, composto de literalmente cinco atores, tem como a grande estrela John Abruzzi de Prison Break, o eterno ator coadjuvante de terceira categoria, Peter Stormare, no papel do agente de condicional responsável pelo protagonista. Os fãs de The Vampire Diaries talvez consigam reconhecer a assombração do filme que é interpretada por Stella Phipps, cujo papel mais relevante até então foi April Young na série de vampiros. Os outros três atores, Keir Calchrist, Steela Maeve e Maestro Harrell, apesar dos nomes incríveis nunca fizeram nenhum trabalho notável e é fácil de perceber o por que.

Além de um diretor desconhecido e um elenco fraquíssimo, o filme é quase que inteiramente passado dentro da mesma casa. Resumindo, tudo em Verão Obscuro parece gritar “BAIXO ORÇAMENTO”. É aí que a pequena análise feita no início deste review vem a calhar. No cenário independente, ou indie, um filme com atores desconhecidos e um cenário recluso e cheio de limitações não é de forma alguma um sinônimo de filme ruim. Quando o filme se encaixa na primeira das categorias mencionadas, essas limitações são facilmente contornadas; criatividade, empenho, dedicação e talento podem transformar qualquer orçamento mínimo em um filme brilhante. Infelizmente, Verão Obscuro entra na outra categoria de filmes independentes.

DARK SUMMER

A atuação é simplesmente risível, o tempo inteiro os atores tentam transmitir um ar depressivo, já que a proposta do filme é de que o verão seja obscuro, sombrio, não apenas pela presença de um fantasma na casa, mas também por estes personagens serem jovens problemáticos tentando lidar com as responsabilidades da vida. Essa tentativa de criar adolescentes com problemas reais e plausíveis passa totalmente batida pelo roteiro raso e que parece uma peneira de tanto furo. Não existe química amiga entre o trio principal que supostamente seria um grupo de melhores amigos e as atuações são exageradas.

Não obstante e de forma semelhante ao que acontece em Ouija (2014), o filme parece se passar em um universo paralelo no qual não existem adultos ou polícia, afinal de contas é perfeitamente aceitável que uma pessoa em prisão domiciliar por crimes digitais consiga montar uma rede de computadores no porão de casa! Em vários momentos o filme é tão vazio e sem vida se parece um cenário pós apocalíptico.

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A falta de recursos obviamente é um fator relevante, mas como mencionado anteriormente, é algo contornável por uma direção de qualidade e por um roteiro bem escrito, coisas que não existem aqui. Para fazer justiça, o filme até tem algumas cenas bem elaboradas, especialmente a sequência dentro da piscina que é o ponto alto do filme, mas na maior parte do tempo se resume a uma série de sequências de assombração das mais baratas, na mesma linha de 99% dos filmes do gênero e que no máximo conseguirão assustar adolescentes sem muito contato com o gênero Terror. Fica claro que Verão Obscuro não tinha nem sequer potencial para integrar o grupo de filmes independentes que estão moldando o horror contemporâneo, apenas se enquadra em um grupo de filmes genéricos que são fadados a cair no esquecimento.

Nota: 1.5/5

Confira o trailer do filme aqui e não deixe de seguir Dead Dans também no Facebook.

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Um comentário sobre “Verão Obscuro (2015)

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