Sinopse: Depois da morte de sua mãe, Evan (Lou Taylor Pucci) perde o controle. Para evitar ser preso por agressão, ele foge para a Itália. Lá, ele conhece uma mulher misteriosa (Nadia Hilker) com um segredo sombrio e mortal.

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Frequentemente comento sobre o cinema de horror independente aqui no blog, mas raramente me refiro a diretores em específico. No entanto, para falar de Spring, se faz necessário despender algumas linhas em menção à dupla por trás do filme, Justin Benson e Aaron Moorhead. A primeira vez que ouvi falar dos dois foi após assistir o fantástico Resolution, uma das maiores surpresas no gênero em 2013 e que também foi o primeiro longa-metragem da dupla. Através de um conhecido, tive a oportunidade de conversar com ambos, via redes sociais e encontrei neles fãs de terror não muito diferentes de mim mesmo. Com a ótima recepção, me interessei muito pela carreira da dupla e decidi segui-los de perto. Acompanhei o desenvolvimento embrionário de Spring, assim como de seus projetos paralelos, na época, um segmento da antologia VHS Viral e um canal no YouTube em que brincavam com a câmera e suas influências do gênero horror, sempre com muito bom humor. Moorhead e Benson estão construindo uma carreira de respeito e que já lhes garantiu uma atenção grande por parte de festivais pelo mundo a fora e tudo isso feito com uma injeção de originalidade e criatividade do tipo que o gênero Horror mais precisa atualmente.

Spring é o segundo longa-metragem da dupla e traz Lou Taylor Pucci, mais conhecido por seu papel no remake de Evil Dead, aqui interpretando Evan, um jovem adulto que decide recomeçar sua vida se mudando para outro país, mais especificamente, a Itália. Mal chega ao país o personagem já demonstra que não é possível fugir do passado ao se juntar com uma dupla de “festeiros” bem semelhantes a seus amigos em seu país de origem. Em uma das aventuras do recém-formado trio, Evan conhece Louise, uma misteriosa e atraente mulher que lhe faz uma proposta indecente, mas que já aponta para o começo de um romance. Aos poucos, Evan vai se adequando a nova vida na Itália, arrumando o emprego e buscando viver um amor.

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Estruturalmente, o filme se desenvolve como um romance comum. Acompanhamos um casal movido à paixão que busca se conhecer diariamente através de longas conversas em encontros e passeios em uma magnífica cidade costeira Italiana, o cenário perfeito para uma história de amor. Quando separados, Evan reflete sobre suas escolhas e seu passado, especialmente nas cenas com o fazendeiro que lhe deu seu primeiro emprego e que entabula conversas bem metafóricas, interpretando aí o papel de um mentor espiritual. Até aí tudo de acordo com o esperado de um romance, exceto que os dilemas individuais da outra metade do casal não são nem um pouco de origem filosófica. Nos momentos em que Louise é apresentada em sua rotina, revela-se um segredo sombrio e bem antigo que transforma Spring de um romance para um Freak Show.

A verdadeira história de Louise é apresentada gradativamente ao longo do filme no mesmo passo em que ela se revela para Evan, motivo pelo qual não farei revelações sobre o tema além de acompanhar o coro de vozes que atribui um aspecto “Lovecraftiano” ao romance. Esse toque sobrenatural deixa Spring com um ar satírico ao gênero romance, como já indica o subtítulo do filme: “O Amor é um Monstro”. O passado enquanto elemento da história encontra aí o ponto máximo, já que constantemente Louise deixa claro que ela é o resultado de uma construção histórica, assim como o próprio Evan.

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Para contar essa história de amor bem distorcida, a dupla por trás das câmeras adotou um tom fantástico que explora ao máximo a iluminação e o cenário deslumbrante para criar uma experiência leve e que flui suavemente, como a primavera que dá título ao filme; Spring proporciona um envolvimento sedutor e que ao jogar com os gêneros, faz refletir sobre a aceitação dos defeitos do outro como forma de amar ao mesmo tempo em que consegue causar repulsa.

Há pouco que mencionar no quesito atuação, já que o casal que conduz o filme faz apenas o necessário para que todo o trabalho ao redor seja sustentado, mas sem muito destaque ou mérito. Isto é o contrário do que acontece no filme anterior da dupla, que tem na atuação dos protagonistas seu ponto mais forte.

Spring recebeu uma série de resenhas positivas as quais farei coro. É um filme único e fantástico, que atravessa gêneros com ótimo balanceamento, integrando o que gosto de chamar de “Terromance” e que já tem lugar garantido entre os grandes filmes de terror de 2015. Mais um ponto para o Terror Indie!

Nota: 4/5

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8 comentários sobre “Spring (2015)

    • SPOILER – Ela é uma espécie de criatura mitológica que existe a milhares de anos. Ela precisa de uma substância é encontrada no sangue humano se não me engano, pra se manter na forma humana e não se transformar nessa criatura, que é uma monstruosidade sem muita forma definida, com uns tentáculos e tal.

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