Sinopse: O cineasta de terror Adam Green investiga e documenta a possível existência de monstros após receber de um ex-policial um caderno com anotações detalhadas sobre a existência de uma passagem que leva para um mundo subterrâneo habitado por criaturas bizarras.

Digging Up the Marrow é um filme complicado de se descrever, pois demanda um conhecimento prévio de algumas coisas, principalmente do gênero terror. O próprio nome do filme é de difícil tradução, já que a palavra “Digging”, que inicialmente remete a “cavar”, aqui é empregada no sentido de “investigar”, e Marrow, que no filme é o nome dado ao buraco no qual os monstros vivem é a palavra inglesa para medula ou tutano, o que pode ter relação com o fato dos monstros viverem dentro da terra, em um núcleo. Talvez caberia o título “Investigando o Portal”, ou algo assim.

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É necessário ainda saber quem é Adam Green, o faz tudo por trás do filme. O diretor é mais conhecido pelos filmes Pânico na Neve (2009) e Terror no Pântano (2007) e é um dos nomes mais respeitados e referenciados no terror contemporâneo. Green conquistou uma base de fãs grande e autonomia para criar projetos alternativos e ousados iguais a este. Digging up the Marrow trabalha com metalinguagem, com Adam Green interpretando a si mesmo enquanto produz um documentário baseado nos achados de um ex-policial sobre monstros no mundo real.

Ao longo do filme, somos apresentados ao que parece ser a rotina criativa do próprio Adam Green, sempre com uma pitada de descontração e humor que deixa claro o amor do cineasta pela própria profissão. Além do próprio Adam, o estúdio responsável e que foi criado pelo diretor recebe bastante destaque e é uma ótima oportunidade para se conhecer os outros trabalhos da equipe, para além de Pânico da Neve e Terror no Pântano

Como citado anteriormente, a temática central do filme é a possível existência de monstros no mundo real. Esse elemento funciona como um grande tributo ao subgênero filmes de monstro que são uma paixão de todos os envolvidos e da grande maioria dos fãs de terror. Muito do charme do filme se sustenta nessa temática, o que é um ponto forte quando o consideramos como filme de gênero.

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Um dos pontos mais interessantes do filme é a forma pela qual Adam Green resolveu fazer esse tributo ao gênero, que foi utilizar a estética de um documentário com algumas filmagens noturnas no melhor estilo Found Footage. Quem acompanha ao menos um pouco o cenário atual de terror sabe que o Found Footage é o principal subgênero dessa primeira metade dos anos 10, o que torna Digging Up the Marrow ainda mais relevante enquanto filme de gênero.

O que talvez seja o elemento principal do filme, talvez seja também sua maior fraqueza. Enquanto o filme tem um valor muito grande enquanto filme de gênero, é um filme que não oferece muito para o público em geral. Demanda um conhecimento prévio do gênero que muitos não terão. Para além desses elementos supracitados, poucos sãos os momentos digno de nota,  atingindo seu ponto alto em uma das cenas envolvendo as criaturas, já próximo ao final do filme. A cena impressiona pelo uso da câmera de mão que é fantástico e principalmente pelo design único e extraordinário dos monstros.  As criaturas concebidas pelas mentes perturbadas por trás de Digging Up the Marrow não merecem nenhum adjetivo menor que extraordinárias.

A idéia de uma comunidade de monstros únicos vivendo no subterrâneo remete diretamente ao filme Raça das Trevas (1990) de Clive Barker, o que leva a imaginar se existe a possibilidade de uma sequência para a obra de Barker pelas mãos de Green.

Digging Up the Marrow é obrigatório para os fãs de filmes de monstro e claro, fãs do diretor Adam Green. Bem divertido e tranquilo de assistir, está entre os três melhores filmes de terror de 2015 no primeiro trimestre do ano.

Nota: 4/5

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4 comentários sobre “Digging Up the Marrow (2015)

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