“Poltergeist” (Remake)

Para fugir um pouco do tradicional, farei este review em duas partes. Primeiro um review completo do filme sem mencionar o filme original ou a palavra remake e como sempre, sem spoilers. Analisarei Poltergeist enquanto um filme único sem quaisquer conexões com a franquia de mesmo nome do passado. Somente após fechar minha análise desta forma, falarei brevemente sobre a relação entre o original e a nova versão.

Sinopse: Uma família vive em uma casa assombrada por forças malignas. Quando as terríveis aparições se tornam mais frequentes e a filha mais nova é capturada, a família deve se unir para resgatá-la antes que ela desapareça para sempre.

Direção: Gil Kenan

Parte I – O Fenômeno 

Poltergeist tem início com a família Bowen se mudando para uma nova casa em um tradicionalíssimo subúrbio Norte-Americano. O elenco apresentado é encabeçado pelo fantástico Sam Rockwell no papel do pai (Eric Bowen), a veterana Rosemarie DeWitt no papel da mãe (Amy Bowen), as lindíssimas Saxon Sharbino e Kennedi Clements no papel das meninas da família (Kendra e Maddy respectivamente) e o jovem Kyle Catlett no papel do único filho homem do casal (Griffin Bowen). O elenco relativamente bom dá indícios de que será um dos pontos principais do filme, mas infelizmente, tal expectativa não se sustenta.

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Um dos grandes problemas do filme já é perceptível nos primeiros minutos. Os diálogos e cenas são extremamente expositórios, tentando dar um panorama geral da relação da família no dia-a-dia sempre através de conversa, sem nunca simplesmente mostrar as relações. Os personagens são tão rasos e genéricos que se torna difícil estabelecer qualquer conexão com eles ou deixar que elas se desenvolvam. Sam Rockwell em certos momentos passou a impressão de estar debochando do próprio papel com o qual não se envolveu em momento algum. O personagem Griffin, que deveria ser o elo de ligação de toda a trama, teve uma encarnação fraquíssima nas mãos de Kyle Catlett que não consegue transmitir emoção ou entusiasmo, praticamente um Steven Seagal mirim. Saxon Sharbino por sua vez foi tão convincente no papel de adolescente chata que não seria surpresa se ela fosse assim na vida real. Kennedi Clements brilhou no entanto, com uma performance super empolgada de quem aparentemente se divertiu bastante e isso é tudo que deve ser esperado de uma criança de oito anos de idade.

O desenrolar da história continua com o mesmo tom expositivo depois que os personagens são estabelecidos, sempre priorizando a conversa do que a imagem imagem. Nada é implícito, tudo é constantemente explicado nos mínimos detalhes. Essa incapacidade de transmitir conteúdo através da imagem é um dos maiores problemas do cinema de terror atual e são fruto de uma direção e um roteiro preguiçosos e pouco imaginativos. O filme é tão preguiçoso que chega ao ponto de ter uma falha bizarra de continuidade na qual Kendra Bowen consegue escapar do porão onde estava presa enquanto o irmão era capturado pela árvore e imediatamente diz para o pai que havia sido trancada lá enquanto a árvore pegava o irmão, sendo que ela não viu a cena. A previsibilidade é outro fator negativo. Os jumpscares do filme são tão óbvios e anunciados que simplesmente não funcionam. As manifestações do Sobrenatural, em uma época em que Atividade Paranormal estabeleceu uma série de sustos possíveis, são completamente sem criatividade, como tudo mais em Poltergeist.

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Quando o grupo de pesquisadores paranormais entra em cena, estes são imediatamente tragados pela rotina de diálogos fracos do filme e não acrescentam em absolutamente nada. Em uma das piores cenas do filme, uma das personagens chega a fazer um desenho para explicar o que estava dizendo – sim, o filme considera a audiência tão estúpida que foi necessário recorrer à um desenho. Christopher Nolan mandou lembranças -. O personagem de Jared Harris, último a ser acrescentado a história, é de uma canastrice tamanha que em momento algum convence de que realmente entende do mundo sobrenatural. Fica uma sensação constante de que ele vai admitir ser uma fraude a qualquer momento.

Já no fim do segundo ato, o filme já parecia não ter salvação, tão preguiçosa fora a condução até aquele momento. Felizmente no entanto o filme ganha pontos no terceiro ato que apesar de ser um festival de computação gráfica, conseguiu emplacar algumas cenas de qualidade. Os únicos momentos de tensão do filme que até então parecia super pipoca, ocorrem nos momentos finais de Poltergeist. Infelizmente, o filme não conseguiu se recuperar a tempo de se tornar algo digno de nota.

Clichés, previsibilidade, personagens estereotipados, atuações e diálogos fraquíssimos são alguns dos principais elementos que fazem de Poltergeist um filme medíocre, sem brilho e fadado ao esquecimento, como todos os outros filmes sem originalidade na mesma linha.

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Parte II – O Outro Lado

Se o filme não funciona enquanto peça independente, enquanto remake é que não funciona mesmo. O original de Tobe Hooper e Steven Spielberg se estabeleceu como um clássico do terror pela criatividade, a narrativa envolvente e pela química fantástica da família Freeling, o remake fez exatamente o contrário. O filme parece não ter um coração, uma alma e assim como vários outros remakes, está fadado a cair no esquecimento de tão medíocre. A cena final, apesar de não ser tão assustadora quanto os caixões saindo do chão no filme original, teve sim um charme e um lapso de criatividade que salvou os minutos finais. Falta ainda uma personagem do nível da icônica Tangina, única a participar dos três filmes originais junto com a pequena Heather O’Rourke.

O tom leve, sem os toques bizarros de Tobe Hooper, por pouco não faz o filme livre para todas as idades, obviamente focando um público mais amplo e por consequência mais dinheiro. Hollywood continua tentando empurrar garganta abaixo filmes super maquiados e que chamam a atenção pelo visual, mas a falta de conteúdo é tão evidente que o filme simplesmente não se sustenta. Os fãs estão sendo forçados a passar por uma verdadeira roleta russa cinematográfica, cruzando os dedos e rezando para que seus filmes prediletos não sejam engolidos pelo tsunami de remakes que tem passado pelo cinema Americano na última década.

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Nota: 2/5

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5 comentários sobre “Poltergeist: O Fenômeno (2015)

  1. Gostei bastante do original e fiquei surpresa por fazerem um remake deste filme. Ao que parece não está a ser do agrado de muita gente. Penso que vou ver mais pela nostalgia.

    Excelente review como sempre. 😉

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