The Human Centipede III – Final Sequence

Sinopse: O diretor da prisão mais violenta dos Estados Unidos, Bill Boss (Dieter Lasser), tem seu emprego ameaçado pela ineficiência de seus métodos que estão causando rombos no orçamento do estado. Em uma tentativa desesperada de manter o emprego, ele recorre a ideia de seu contador Dwight (Laurence R. Harvey), de criar uma prisão-centopeia-humana, a medida definitiva para controlar os presos e suprimir a violência. 

Direção: Tom Six

A franquia Centopeia Humana existe em um universo cinematográfico paralelo. Os filmes não possuem nenhuma qualidade cinematográfica real, sem diálogos complexos ou valor artístico. Também não é um filme com valor de entretenimento comum, por ter um conteúdo tão sádico e doentio. Seria então um daqueles filmes underground cultuados por fãs de cinema extremo? Na verdade, também não. O controverso e absurdo da franquia existe muito mais na própria ideia do que no conteúdo dos filmes. O original de 2009 por exemplo é um filme que tem algumas cenas chocantes, mas não impressiona mais que um Albergue da vida, no entanto, só o conceito claramente doentio foi suficiente para criar todo um misticismo em torno do filme. O segundo filme elevou o nível de perturbação consideravelmente, sendo um filme escatológico e nojento; no entanto, é um filme em preto e branco, o que reduziu drasticamente a intensidade. Claro que estes já não são filmes para o grande público, mas Tom Six conscientemente limita o quão doentio eles são e nunca abraçam completamente o intuito de fazer um filme sobre os cantos mais sombrios da mente. Existe uma aura em torno do filme, um charme de algo perturbador e doentio demais que atrai a curiosidade mórbida e causa desejo nas pessoas, mas quando esse desejo é finalmente saciado, percebem que se trata de apenas um filme chocante sem muito conteúdo.

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Com essa franquia, Tom Six critica, debocha e deturpa o cinema de horror e manipula o público de forma incrível, existindo em algum lugar, um toque de genialidade. Na época do politicamente correto, das reciclagens constantes de ideias, do porno de tortura, Six se propôs a quebrar paradigmas e padrões em termos de conteúdo, narrativa e sequências, mas sempre consciente de seu lugar, sem nunca cair fundo demais no terror extremo, o que é uma posição que merece respeito. Isso quer dizer que os filmes são bons? Não, isso quer dizer apenas que eles são filmes diferentes.

O terceiro e último filme da série mais uma vez brinca com a própria franquia ao colocar os personagens em um mundo no qual Centopeia Humana 1 e 2 também são filmes. Na cena de abertura, o personagem Bill Boss (Dieter Laser), o cientista louco do filme original destrói os filmes, chamando-os de lixo e coisa pior (muito pior) e de quebra ofendendo seu contador e braço direito Dwight (Laurence R. Harvey), o homem perturbado de Centopeia Humana Sequência Completa. Esse tipo de criticismo em relação à franquia aparece no decorrer do filme por várias vezes e em alguns momentos os atores parecem estar lendo trechos de críticas negativas feitas sobre a franquia.

Boa parte do filme se resume a sequências de abusos físicos e psicológicos infligidos pelo diretor da prisão Bill Boss contra todos a sua volta, de presidiários até funcionários. O papel é sem dúvida muito exigente, pois o personagem passa o tempo inteiro tendo ataques de nervos e gritando à plenos pulmões as ofensas mais absurdas. O personagem que tem um viés nazista passa o filme inteiro ofendendo de boca cheia todas as etnias, religiões, orientações sexuais e tudo mais que existe para ser ofendido. Os dizeres “100 % politicamente incorreto” estampados no cartaz caem como uma luva. Apesar dos absurdos ditos, uma observação mais atenta deixa claro que o filme também debocha do cidadão americano louvável acima de todas as outras raças, o que reforça a teoria de que Tom Six não tem preconceitos e sim odeia todos os seres humanos igualmente.

Ao contrário dos filmes anteriores, a sequência final tem um tom muito mais de humor negro, facilmente capaz de arrancar gargalhadas dos aficionados pelo absurdo. O gore a escatologia são mais controlados, aparecem em momentos isolados no filme, mas quando aparecem… Duas cenas em particular merecem o pódio absoluto de momentos mais angustiantes e agoniantes da série. “Estupro da Morte!” parece um tipo de hino para os prisoneiros. Estupro por sinal é a palavra mais repetida e tema central de algumas das cenas mais agressivas do filme, sendo que uma destas cenas, apesar de não ser tão gráfica, foi pesadíssima pelo grau de realidade, sem nada do deboche ou absurdo cartunesco do resto do filme.

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Momentos como este fazem de Centopeia Humana uma experiência totalmente fora da curva, difícil de ser julgada nos padrões convencionais e que não dá a mínima para tais padrões. Em alguns momentos ele diverte, às vezes é entediante, em muitos momentos ele horroriza e perturba, em outros não desperta nada além de indiferença. O Grand Finale da franquia é tão absurdo que é difícil de ser levado a sério, mas que guarda por trás de seu exagero e falta de noção, uma das ideias mais chocantes já concebida por uma mente humana.

O grande mérito de Tom Six com essa franquia é ter conseguido fazer algo verdadeiramente original e plenamente capaz de mexer com o imaginário das pessoas, mesmo que isso não diga muito sobre a qualidade cinematográfica dos mesmos. É difícil fazer uma análise convencional das sequências de Centopeia Humana, e não acredito que o diretor esperasse por isso em algum momento. De qualquer forma, fecharei a franquia com a mesma nota para os três filmes, 3 pontos em 5. Assista por sua conta e risco!

Nota: 3/5

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5 comentários sobre “Centopeia Humana 3 – Sequência Final

  1. Excelente critica. Identifiar a mensagem que um filme tras por tras de seu conteudo e para poucos, e isso voce soube identificar muito bem. Parabens.

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