Welp

Sinopse: O jovem e imaginativo garoto de 12 anos de idade, Sam, vai para o acampamento com o seu grupo de escoteiros. Na floresta, ele se depara com uma estranha casa na árvore e com uma criança selvagem mascarada. Quando seus líderes ignoram suas advertências sobre o garoto misterioso, Sam começa a se sentir cada vez mais isolado do bloco, e convencido de que um terrível destino espera por todos eles. Enquanto isso, um homem misterioso começa a fazer vítimas nos arredores do acampamento. 

Direção: Jonas Govaerts 

Originalmente, o filme recebeu o título Welp, que é um termo extraído do holandês, um dos idiomas oficiais do país em que o filme foi produzido, a Bélgica. Em inglês, a palavra pode ser traduzida para Cub, que é empregada para identificar os filhotes de grandes animais carnívoros, como leões, lobos e ursos. No filme, o vocábulo é utilizado em dois sentidos: como referência aos escoteiros mirins – conhecidos em alguns lugares do Brasil como “lobinhos” – e como menção ao garoto selvagem, que é uma “cria” do predador/assassino que habita a floresta.

Gill Eeckelaert is Kai the feral boy, helper of the Poacher in Welp/CUB (Jonas Govaerts/Potemkino 2014).

Gill Eeckelaert é Kai o menino selvagem, ajudante do Caçador em Welp/CUB (Jonas Govaerts/Potemkino 2014).

O trailer e a premissa apontam para um tradicional Slasher, ou seja, um filme sobre um grupo de pessoas que se vê a mercê de um assassino brutal, no melhor estilo Sexta-Feira 13. O filme sem dúvida traz muitos elementos desse gênero, desde o personagem aleatório que só serve para dizer “Não vá para a floresta!” até o assassino que surge em meio a uma crise econômica, acrescentando um ar de crítica social ao filme e claro, muito sangue. O grande diferencial, no entanto, é a pegada de filme sobre amadurecimento, o que em inglês é chamado de coming-of-age.

Apesar de dar espaço a vários personagens com diferentes personalidades, como os adultos do grupo de escoteiros, a história gira em torno de Sam, um adolescente de doze anos com um passado sombrio e que tenta se adaptar ao grupo. Um dos grandes problemas de filmes de terror contemporâneos é a incapacidade de muitos escritores e diretores de criar personagens minimamente interessantes, especialmente quando estes são protagonistas jovens. Em Cub, como na maioria dos filmes independentes, existe uma atenção ao desenvolvimento destes e o trabalho feito com Sam é fantástico. O jovem fala pouco, constantemente é excluído pelos colegas e tem lapsos de agressividade sempre que seu território é invadido. Ele observa os outros meninos falando sobre mulheres e vídeo games, espionando, de uma certa distância e  com curiosidade, a única mulher do filme, como alguém que acha tudo aquilo muito estranho. O ar sombrio envolta de Sam aumenta com o andar do filme, sendo a peça chave que sustenta a primeira hora que não tem muita ação, encaixando o final agressivo de Cub que é sem dúvidas a melhor parte do filme.

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É importante ressaltar que o filme foi financiado por meio do Kickstarter, por consequência teve um orçamento bem limitado que só é perceptível nas locações, resumidas à um trecho de floresta e uma espécie de fábrica abandonada. Apesar de não ser um filme de grande orçamento, é visualmente bem construído e tem atuações muito boas, principalmente por parte do elenco mirim.

Cub pode decepcionar àqueles que o assistirem esperando um filme 100% no viés de Pânico na Floresta, já que a ação é bem condensada na parte final e o assassino que aterroriza a floresta aparece relativamente pouco; sempre com ares de Jason Voorhees, seu rosto nunca é revelado por completo, na maioria das vezes a câmera parece estar em um nível mais baixo que o rosto do mesmo, apontando para a perspectiva das crianças. Sua atuação se dá pelo uso de armadilhas espalhadas na floresta, como um verdadeiro caçador, mas suas motivações são mantidas em segredo. O “filhote” do assassino, uma espécie de Mogli do inferno, rouba a cena do adulto, com sua máscara de casca de árvore super estilosa e que dá personalidade ao filme, além de uma furtividade quase sobrenatural. Sem dúvidas os dois mereciam mais tempo de tela, talvez com algumas cenas extras de gore, que nunca são demais nesse tipo de filme.

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Menção honrosa para a trilha sonora que mais uma vez não deixa a desejar. As músicas no estilo synth-wave, bem características de John Carpenter por exemplo, estão super presentes em filmes atuais que tentam evocar um clima anos 80, bem parecido com o que acontece em Corrente do Mal. É um fato curioso pensarmos que a maioria dos filmes de terror de qualidade que saem atualmente, presta-se tributo aos anos 70 e 80. Ficam claras as influências por trás desses novos e promissores diretores!

Cub pode não ser um filme brilhante, mas é definitivamente um filme marcante, graças ao personagem central vivido por um ator jovem de muito talento – Maurice Luijten – e um desenvolvimento bem executado, resultando em um dos finais mais intensos e depressivos do ano.

Nota: 4/5

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Um comentário sobre “Cub (2014-2015)

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