aka Reversal

Sinopse: Uma jovem, sequestrada e acorrentada no porão de um estuprador, foge e vira o jogo contra seu captor.

Direção: José Manuel Cravioto

Um dos subgêneros mais violentos do Terror é o rape/revenge, ou em português, estupro/vingança. Filmes deste subgênero eram particularmente comuns nos anos 70, tendo como principais referências, os chocantes A Vingança de Jennifer de 78 e Aniversário Macabro de 72, trabalho de estréia do Mestre do Terror Wes Craven. A marca registrada destes, é a retratação brutal e suja do estupro e a transformação, na maioria das vezes da própria vítima do estupro, ou de algum familiar, em uma máquina de tortura e morte. Na década atual, o subgênero ganhou força novamente com Doce Vingança, remake de A Vingança de Jennifer. Parece existir por parte do público uma satisfação mórbida em filmes do tipo, que geralmente causam todo tipo de angústia, nojo, repulsa, enfim, um misto de sentimentos negativos que a maioria das pessoas, felizmente, não terá de enfrentar na vida real.

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Bound to Vengeance é um filme que a princípio aponta para o tradicional estupro/vingança, mas rapidamente pula a parte do estupro e vai direto para a vingança, adicionando um muitíssimo bem vindo twist ao gênero. A protagonista Eve, interpretada pela talentosa Tina Ivlev escapa das garras de seu sequestrador, mas logo se vê em meio à uma trama muito maior do que ela poderia imaginar. A primeira mudança que o filme aplica e que o afasta do subgênero, é a ausência da exploração sexual da mulher. Não existe aqui qualquer fetichização do estupro ou da violência contra a mulher. Eve segura a própria sede de sangue para mergulhar de cabeça no mundo de seu captor, Phil, interpretado por Richard Tyson, excelente com sua voz arrastada e jeitão de criminoso. Eve e Phil são os únicos personagens em cena na maior parte do tempo e os dois entregam ótimas performances.

A opção por não abusar da exploração sexual e objetificação da mulher vítima do estupro, ou melhor dizendo, por abandonar essa característica de vez, abriu espaço para uma trama bem mais complexa do que o normal em filmes semelhantes. Essa trama, que envolve tráfico de mulheres, tem alguns desdobramentos fantásticos; cada passo que Eve dá, entrando nesse mundo, guarda uma surpresa sombria. O resultado é uma imprevisibilidade que cria um suspense que muitas obras de terror falham em reproduzir.

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A narrativa do filme não é completamente linear, já que ao longo de todo o filme introduz flashbacks, memórias da protagonista, que vai aos poucos construindo a motivação da personagem, mostrando que a violência que ela sofreu está em concordância com sua vingança. Por meio destes elementos, o diretor José Manuel Cravioto eleva Bound to Vengeance ao patamar de filme de Vingança completo, um bocado diferente do caminho que filmes de vingança protagonizados por mulheres geralmente tomam.

Um dos elementos mais notáveis a cerca deste filme é o visual. Começando pelos posteres super estilosos, até a iluminação estilo neon, que dão uma tonalidade magnífica ao filme, variando entre o vermelho, o azul e o verde. Além disso, a trilha sonora também é bem marcante, cheia de músicas no estilo synthwave que estão em alta pela primeira vez desde os anos 80. O filme ainda se encerra com uma versão de Love Hurts, da banda Nazareth, conhecida dos fãs dos Halloweens de Rob Zombie.

Existem dois problemas no entanto. O filme é frequentemente interrompido por uma série de cenas gravadas por Eve e seu namorado. Essas cenas só passam a ter significado nos minutos finais, de forma que na maioria das vezes, quebra um pouco o clima. Falta também energia na direção de Cravioto. Em muitos momentos o filme é arrastado e as cenas não tem impacto. Pegando filmes com temáticas e estilos parecidos, The Guest fez um trabalho muito melhor nesse aspecto, sendo super empolgante, utilizando de uma estética bem semelhante. I Saw the Devil também consegue ser muito mais impactante e violento que Bound to Vengeance, dentro de uma proposta visual com similaridades.

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Independente dos problemas, o resultado ainda é muito bom, apesar das duras críticas que recebeu em sua estréia no festival de Sundance. Bound to Vengeance é uma pegada original nos filmes de vingança protagonizados por mulheres, tem uma boa dose de sangue e um final digno de aplausos pra quem curte uma vingança cruel.

Nota: 4/5

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2 comentários sobre “Bound to Vengeance (2015)

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