aka Fievre

Sinopse: Desde sua infância, Jéssica tem sido assombrada por recorrentes pesadelos cujo significado ela não entende. Essa peculiaridade a levou a estudar a psicofisiologia dos sonhos e fazer terapia com Sean, seu mentor e namorado, para tentar entender a origem de seus pesadelos. Após a morte de sua avó materna que ela mal conhecia, Jessica volta relutantemente para a casa de sua família. Ela não se dá bem com a própria mãe e não está animada em revê-la. Assim que chega, Jessica descobre que a falecida avó está sendo velada no qual junto ao dela mesma. Depois de uma primeira noite difícil causada por um estranho pesadelo, no qual ela encontra a avó morta, Jessica adoece. Acamada e com febre alta, a jovem decide to usar o estado letárgico em que se encontra para tentar sonhar lucidamente. Para conseguir isso, seguindo um conselho de Sean, Jessica inspira um pouco de Éter sempre que ela precisa ir mais fundo nesse outro mundo, para ter controle de seus pesadelos. Jessica começa então a vagar por um mundo de pesadelos, habitado por versões bizarras de sua própria família. Ela melhora às próprias habilidades de controlar os sonhos e investiga o mistério que atormenta à ela e à família.

Direção: Romain Basset

Horsehead é um filme de produção francesa, porém falado em inglês, lançado em festivais em 2014 e comercialmente em 2015. É também o filme de estréia de Romain Basset, estrelando a desconhecida, mas super talentosa Lilly-Fleyr Pointeaux como Jessica. O filme passou despercebido para a maioria do público, incluindo aí os próprios fãs de terror. A falta de marketing, de um plot fácil de ser vendido e de um nome conhecido no elenco, são algumas das razões pela qual essa pequena gema está invisível em tantos radares. No entanto, em uma época em que a falta de originalidade impera, filmes originais merecem destaque, mesmo que estes sejam pretensiosos e sem brilhantismo – Horsehead terá aqui no Dead Dans um espaço de divulgação e discussão.

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É importante deixar claro que o filme não é apenas diferente – é também um filme experimental. A maior parte das cenas são sequências de sonhos e pesadelos da protagonista, quase sem diálogos e que operam por meio de simbologias e significados ocultos. A primeira cena do filme apresenta um mundo sombrio habitado por uma criatura humanoide com cabeça de cavalo. Essa primeira sequência já serve como termômetro para as bizarrices que se passam ao longo do filme. Mas também é uma demonstração clara das principais qualidades deste, que são a fotografia e a direção de arte.

A direção de arte é a responsável pela elaboração dos cenários fantásticos do filme, que vão desde uma cidadezinha deserta à noite até um simples banheiro. As cenas “normais” do filme, ou seja, aquelas que não se passam no mundo dos sonhos, são em sua maioria dentro da casa da protagonista Jessica. No entanto, essa casa ganha contornos macabros nos devaneios oníricos da personagem. Também sob o selo de qualidade da direção de arte entram as peças do figurino, que acrescentam um ar de fantasia, de um conto de fadas – impossível não lembrar da história de Chapeuzinho Vermelho. Ainda se destacam os desenhos de uma das personagens representando a criatura com cabeça de cavalo e claro, a própria criatura, cuja existência remonta ao famoso quadro O Pesadelo, de Henry Fuseli. Por ser um filme que se apoia no visual para contar uma história, o empenho na direção de arte do filme é simplesmente louvável e merecedor apenas de elogios.

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No entanto existe uma expressão no inglês que se faz importante em relação a Horseheadstyle over substance – estilo acima de conteúdo. O trabalho de arte com o filme realmente é extraordinário, no entanto, o desenvolvimento do enredo saiu prejudicado. A princípio, o filme trata sonhos quase como uma ciência exata, com a protagonista manipulando os próprios sonhos por meio de sonhos lúcidos com extrema facilidade. Existem indícios do trabalho da personagem como pesquisadora dos fenômenos relacionados ao sonhar, mas sem nunca entrar em detalhes sobre tal trabalho. Alguns elementos ficam jogados no filme, como por exemplo o próprio sonho lúcido, falhando em estabelecer um senso de realidade no que se refere ao mundo onírico, já que estes são frequentemente entrecortados por histórias do passado e elementos sobrenaturais.

Apesar dos sonhos serem carregados de simbologia e, na maioria das vez, serem abstratos, as cenas no “mundo real” são às que menos fazem sentido, simplesmente por que não conseguem transmitir a motivação dos personagens, ou a conexão destes com o conteúdo dos sonhos. Além disso, são cenas corridas, com diálogos fracos e que parecem fora de lugar. A combinação de mundo real e mundo dos sonhos simplesmente não tem encaixe, o que torna o filme muito menos inteligente e complexo do que tenta ser. Se ao final de Horsehead, você não entendeu nada, não se preocupe, a culpa é mais do filme que sua.

Imagens belíssimas e intrigantes somadas a um plot com potencial, se desmontam sob o peso de si mesmas, pois Horsehead é incapaz de sustentar o nível de abstração que demanda. A sinopse tem mais conteúdo que o próprio filme.

Nota: 3/5

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Um comentário sobre “Horsehead (2014/15)

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