The Taking of Deborah Logan (2014)

Diretor: Adam Robitel

Quando Mia Medina decide gravar para sua tese de PhD a vida cotidiana de Deborah Logan, mulher que sofre de Alzheimer, rapidamente percebe que algo terrivelmente maligno, muito pior que a doença, está tomando controle de Deborah.

Não se deixe enganar pela sinopse genérica, pelo trailer cliché ou pelo nome horrível. “The Taking of Deborah Logan” é um filme que veio para se destacar dentro de um gênero que tem se esgotado rapidamente pelo excesso de produções, o found footage/falso documentário. Filme de estréia de Adam Robitel, The Taking é o pseudo-documentário produzido por uma estudante como parte de sua tese, no qual ela deveria acompanhar Deborah Logan, uma senhora que sofre do mal de Alzheimer e as implicações da doença no cotidiano dela e da família. Sem muitas delongas, a criadora do documentário se apresenta e dá um panorama geral do que pretende fazer e logo a equipe de cinegrafistas parte para a casa da família Logan, onde são bem recebidos pela excêntrica Sarah (Anne Ramsay), uma das personagens mais interessantes do filme, diga-se de passagem. Sarah então apresenta a equipe de filmagem à sua mãe, Deborah Logan, uma senhora que é pura elegância e charme na terceira idade, pelo menos até o mal se manifestar…

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Assassino Invisível (2014)

The Town that Dreaded Sundown (2014)

Diretor: Alfonso Gomez-Rejon

Quando o assunto é o subgênero Slasher, “Halloween” de John Carpenter é sempre o primeiro filme a ser mencionado como precursor, o filme que deu origem ao assassino mascarado e sua eterna perseguição sem resultado à sua “final girl”. O que poucos sabem é que dois anos antes de Halloween, um outro diretor deu sua pequena contribuição ao subgênero horror ao introduzir um dos primeiros assassinos em série mascarados no filme “Assassino Invisível” (1976), inspirado em uma série de assassinatos reais que ocorreram na cidade americana de Texakarna poucos meses após o fim da segunda guerra mundial e também pelo reinado de terror do Zodíaco, que terminava naquela época. O diretor Charles Pierce, que aparentava ter um apreço por falsos documentários, vide seu filme fantástico “A Lenda de Boogey Creek” (1972), fez o filme “Assassino Invisível” como um misto de thriller policial, terror e documentário investigativo, com um narrador detalhando o retorno do assassino que aterrorizou a cidade nos 40, para mais uma sequência de assassinatos brutais. Com o passar dos anos, o filme original ganhou o status de filme cult, apesar de nunca ter sido um grande filme ou um marco do cinema de terror. Agora em 2014 o filme ganhou um remake, ou seria uma sequência?

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Housebound (2014)

Diretor: Gerard Johnstone

Enquanto os grandes lançamentos do Horror continuam dividindo público e crítica, os festivais de cinema de gênero pelo mundo a fora continuam surpreendendo e renovando com filmes assustadores, divertidos e originais. Um dos mais bem recebidos do ano é o Neozelandês Housebound, filme de estréia no cinema do diretor Gerard Johnstone, protagonizado por um elenco bem pouco conhecido fora do país de origem.

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Housebound, palavra inglesa que significa “confinado em casa”, normalmente se referindo a pessoas adoecidas, aqui se refere a personagem principal Kylie Bucknell (Morgana O’Reilly), que após uma tentativa frustrada de assalto é presa e obrigada a ficar em prisão domiciliar na casa dos pais da qual fugiu ainda jovem, utilizando uma tornozeleira de monitoramento. O problema começa quando a jovem rebelde percebe que existe algo muito errado na casa de seus pais que pode nem ser desse mundo. Continuar lendo

V/H/S: Viral (2014)

V/H/S Viral

Diretores: Justin Benson, Gregg Bishop, Todd Lincoln, Aaron Moorhead, Marcel Sarmiento e Nacho Vigalondo.

VHS Viral é a terceira parte do que até então é uma trilogia que une dois subgêneros do terror, as antologias, filmes compostos por várias histórias menores dirigidas por pessoas diferentes e o found footage ou filmagens em primeira pessoa. A ideia é ousada, já que une dois estilos que demandam uma habilidade grande para resultar em algo interessante e que tenha sentido em um tempo curto e limitado ao ponto de vista de um ou mais de um personagens e surgiu em 2012 com o primeiro filme da série que trouxe diretores em ascensão tais como Ti West, Adam Wingard e Simon Barret. No filme original, um grupo de assaltantes entra em uma casa e se depara com uma bizarra coleção de fitas de vídeo VHS contendo registros das mais diversas monstruosidades e acaba pagando um preço alto por tal descoberta. O segundo VHS superou o original em quase todos os quesitos para a maior parte do público e crítica. Mantiveram o conceito de pessoas encontrando as fitas de conteúdo macabro e se tornando vítimas das mesmas, mas os seguimentos foram muito mais ousados e violentos, destaque para “Safe Haven”, fruto doentio da parceria entre Gareth Evans (The Raid) e Timo Tjahjanto (Macabre). Contrariando as expectativas criadas pelo segundo filme, a terceira parte da franquia de relativo sucesso foi recebido com muitas críticas negativas, que acredito não fazerem justiça ao filme como um todo.

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Entrevista com Eric England

Decidi começar no blog uma série de entrevistas com diretores e pessoas envolvidas no cenário de horror contemporâneo, discutindo os principais temas relativos ao gênero e ao cinema hoje em dia, questões como a importância do cinema independente, a importância dos novos veículos de comunicação e mídias sociais para o cenário independente, o que há de bom sendo produzido atualmente e muito mais.

Para começar essa nova iniciativa, que será algo inédito no Brasil, convidei o Diretor e Roteirista norte-americano Eric England, diretor de “Madison County” (2011) e “Contracted” (2013), filme que lançou o diretor como um dos potenciais grandes nomes do Horror nos próximos anos. Nesta primeira entrevista falamos sobre os projetos antigos e novos do diretor, influências e também sobre o cenário contemporâneo. Eric é um cara excelente, a conversa foi super leve e divertida, durou cerca de trinta minutos. Segue a transcrição traduzida da entrevista. Continuar lendo

ABCs da Morte 2 (2014)

ABCs of Death 2

26 Letras, 26 curtas, 26 diretores. Essa é a proposta da antologia de terror ABCs da Morte que retorna um ano após o lançamento do primeiro filme trazendo uma nova safra de cineastas, temas e loucuras, em forma de animação,

No lugar de um simples review do filme, preferi dissecá-lo e falar um pouco sobre cada um dos segmentos que o compõem. No geral, ABCs da Morte 2 se mostra muito mais consistente que o filme original, apresentando uma menor oscilação tanto de temas quanto de qualidade. Nenhum dos curtas chega ao nível de certas atrocidades presentes no filme original e os bons aqui são superiores aos melhores de seu predecessor. Atribuo tal superioridade a um misto de experiência dos produtores e uma seleção mais elaborada de diretores e escritores. É importante ressaltar que independente de ter um nível superior no geral, o filme continua sendo uma bagunça, com temas e abordagens que passam por todos os lugares, o que é esperado de uma antologia com vinte e seis curtas feitos ao redor do mundo; alguns são repetitivos ou pouco originais, outros não fazem o menor sentido, alguns são completamente bobos e alguns são puramente chocantes e controversos.

Uma das partes mais interessantes da experiência que é assistir ABCs da Morte 2 é tentar adivinhar qual será o nome do curta metragem a partir da letra e quem é o diretor responsável por cada filme. Para quem não tiver tanto interesse nessa parte, fica a lista comentada dos curtas:

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Uma Noite de Crime 2 – Anarquia (2014)

The Purge 2 – Anarchy

Diretor: James DeMonaco

Durante um período de 12 horas, todo crime é legal no território dos Estados Unidos da América, assim como todos os serviços de emergência estão suspensos. Aquele interessado em expurgar os próprios sofrimentos e ansiedades, poderá sair na rua e fazer o que bem entender durante essas 12 horas sem qualquer tipo de punição, a não ser que caia nas mãos de algum outro indivíduo em busca do expurgo.

Quando o primeiro “Uma Noite de Crime” foi anunciado em 2013, defendi a proposta do filme e criei grandes expectativas, que no fim das contas foram completamente destruídas por um filme tão mal escrito que chegava a ser engraçado; prova de que não se faz um bom filme baseado apenas em uma boa ideia. Em minha mente conseguia imaginar diferentes cenários para o expurgo envolvendo muito mais tensão e violência que o apresentado no filme, o que me levou a desejar uma sequência, mesmo detestando o original. Por incrível que pareça (ou não, já que o filme foi um dos mais rentáveis do ano), meu desejo foi atendido quase que instantaneamente. Alguns meses depois da estréia, a sequência foi anunciada e menos de um ano depois do original, esta foi lançada, “Uma Noite de Crime: Anarquia”, um filme maior e mais ousado que seu antecessor. Continuar lendo