Corrente do Mal Explicado (It Follows – 2015)

Escrevi aqui no blog o review do incrível filme indie Norte-Americano It Follows, que no Brasil recebeu o nome Corrente do Mal. O filme acompanha uma jovem que é “contaminada” por uma espécie de maldição sexualmente transmissível. Um dos pontos fortes do filme é o mistério e a narrativa cheia de ambiguidades, que força o espectador a prestar atenção aos detalhes e completar algumas partes com a própria imaginação, sem nunca entregar nada. Muitos destes mistérios não são fáceis de compreender de primeira. O intuito desta análise é complementar o review, buscando explicar de forma simples o que se passa no filme, ou seja, este é um artigo carregado de spoilers. Para ler o review sem spoilers, clique aqui! Os argumentos aqui expostos são embasados por uma análise pessoal do filme, entrevistas feitas com o próprio diretor e outras análises de sites gringos.  Continuar lendo

Corrente do Mal (2014-2015)

“It Follows”

Sinopse: Uma jovem mulher é perseguida por uma força sobrenatural após um relacionamento sexual. 

Direção: David Robert Mitchell

Corrente do Mal surgiu em 2014, nos festivais de cinema de terror pelo mundo. Em um ano em que o cenário estava fortíssimo com filmes incríveis como The Babadook e What We Do in the Shadows, o diretor estreante David Robert Mitchell passou igual um furacão, levando consigo elogios e mais elogios por seu filme brilhante. O filme foi agendado para lançamento nas plataformas VOD (Video sob demanda, ex: iTunes) no começo de 2015, após um lançamento limitado nos cinemas norte americanos. Filmes independentes raramente são lançados em grande escala, na proporção de um filme como Annabelle (2014) por exemplo, mas Corrente do Mal foi um sucesso tão grande nesse lançamento limitado, que em questão de dias tornou-se viável um lançamento em escala nacional. A estréia virtual foi adiada e vários cinemas por todo os Estados Unidos puderam exibir o filme. Considerando apenas a produção e o lançamento do filme, este já se qualifica como um marco do cinema independente, por ter conseguido um lançamento à nível nacional (nos EUA) baseado única e exclusivamente no sucesso de público e crítica, pelos poucos que tiveram acesso ao filme.

Mas fica aí a curiosidade, por que Corrente do Mal fez tanto sucesso? As razões são muitas! Continuar lendo

Digging Up the Marrow (2015)

Sinopse: O cineasta de terror Adam Green investiga e documenta a possível existência de monstros após receber de um ex-policial um caderno com anotações detalhadas sobre a existência de uma passagem que leva para um mundo subterrâneo habitado por criaturas bizarras.

Digging Up the Marrow é um filme complicado de se descrever, pois demanda um conhecimento prévio de algumas coisas, principalmente do gênero terror. O próprio nome do filme é de difícil tradução, já que a palavra “Digging”, que inicialmente remete a “cavar”, aqui é empregada no sentido de “investigar”, e Marrow, que no filme é o nome dado ao buraco no qual os monstros vivem é a palavra inglesa para medula ou tutano, o que pode ter relação com o fato dos monstros viverem dentro da terra, em um núcleo. Talvez caberia o título “Investigando o Portal”, ou algo assim. Continuar lendo

Nightlight (2015)

Sinopse: Nightlight é um suspense sobre cinco adolescentes jogando um jogo que dá terrivelmente errado em uma floresta, durante uma longa noite. O filme será contado de um ponto de vista singular, empregando um modo incomum de contar a história para aumentar o suspense. O sexto personagem do filme é a própria floresta, misteriosa e com um histórico de ser um local de esperança para jovens que pensam em suicídio. Nightlight tem elementos de suspense e terror, mas conta com personagens reais, com vidas emocionais e relacionamentos genuínos.

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Nightlight saiu de lugar nenhum, com um trailer brotando na internet em uma tarde chuvosa de domingo e se espalhando igual fogo de palha. O trailer causou um certo rebuliço online por algum motivo que desconheço, já que nada mais era do que uma série de cenas em primeira pessoa, indicando que o filme seria um Found Footage, ou seja, um destes filmes supostamente reais com as gravações feitas nos últimos momentos destes personagens. Além de cliché ao extremo, o trailer parecia entregar todo o filme e realmente o faz. Continuar lendo

Spring (2015)

Sinopse: Depois da morte de sua mãe, Evan (Lou Taylor Pucci) perde o controle. Para evitar ser preso por agressão, ele foge para a Itália. Lá, ele conhece uma mulher misteriosa (Nadia Hilker) com um segredo sombrio e mortal.

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Frequentemente comento sobre o cinema de horror independente aqui no blog, mas raramente me refiro a diretores em específico. No entanto, para falar de Spring, se faz necessário despender algumas linhas em menção à dupla por trás do filme, Justin Benson e Aaron Moorhead. A primeira vez que ouvi falar dos dois foi após assistir o fantástico Resolution, uma das maiores surpresas no gênero em 2013 e que também foi o primeiro longa-metragem da dupla. Através de um conhecido, tive a oportunidade de conversar com ambos, via redes sociais e encontrei neles fãs de terror não muito diferentes de mim mesmo. Com a ótima recepção, me interessei muito pela carreira da dupla e decidi segui-los de perto. Acompanhei o desenvolvimento embrionário de Spring, assim como de seus projetos paralelos, na época, um segmento da antologia VHS Viral e um canal no YouTube em que brincavam com a câmera e suas influências do gênero horror, sempre com muito bom humor. Moorhead e Benson estão construindo uma carreira de respeito e que já lhes garantiu uma atenção grande por parte de festivais pelo mundo a fora e tudo isso feito com uma injeção de originalidade e criatividade do tipo que o gênero Horror mais precisa atualmente. Continuar lendo

Verão Obscuro (2015)

Dark Summer

Sinopse: Um jovem de 17 anos é colocado em prisão domiciliar enquanto sua mãe está longe em uma viagem de negócios. Um incidente trágico acontece envolvendo o jovem, deixando uma presença maligna na casa. 

Para melhor entender o grande problema de Verão Obscuro, se faz necessário uma breve análise bem generalista sobre como os filmes de terror funcionam atualmente. O cinema de terror atual tem duas vertentes principais, o cenário mainstream, composto pelos filmes de estúdio, ou seja, aqueles filmes com os dizeres “Dos mesmos produtores de Atividade Paranormal e Sobrenatural” nos posteres e o cenário independente, filmes de menor orçamento, que costumam ganhar destaque nos festivais e raramente tem um grande lançamento nos cinemas, como por exemplo ‘The Babadook‘ ou Starry Eyes, dois dos melhores filmes de terror de 2014. O cenário independente no entanto, acaba se dividindo também em outras duas vertentes: de um lado, filmes inovadores, com ideias fantásticas e originais, sejam de conteúdo ou de estilo, filmes que servem de referência e inspiração para o mainstream, como foi o caso do primeiro Atividade Paranormal; de outro lado, existem aqueles filmes que tentam repetir a formula de sucesso do mainstream mas não dispõem de recurso para tal, seja recurso monetário ou intelectual, resultando em filmes de baixo orçamento mas com um enredo cliché ou sem um pingo de originalidade. Como dito logo no início do parágrafo, esta análise é bem general e nem de longe cobre todas as variáveis do gênero, mas com base neste comentário, se torna mais simples localizar aonde Verão Obscuro se encaixa no cenário do horror. Continuar lendo

Suburban Gothic

Suburban Ghotic (2015)

Raymond é forçado à voltar para a casa dos pais após passar seis meses desempregado e o que já era um pesadelo fica ainda pior quando um espírito maligno começa a assombrar a casa. Cabe a Raymond recuperar os poderes paranormais que tinha quando criança para tentar salvar a própria família com a ajuda de sua amiga Becca.

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Perante a falta de uma sinopse razoável e que fizesse algum sentido disponível na internet, fui forçado a criar minha própria “descrição” de Suburban Gothic. Mas esteja avisado, este é um daqueles filmes em que a expressão “fazer sentido” não vai… fazer muito sentido!

Em 2012, o diretor e roteirista estreante Richard Bates Jr. sacudiu o cenário independente de terror com o insano “Excision”. Filme bizarro, cheio de imagens fortes e desconexas criadas pela mente doentia da protagonista, uma adolescente com problemas em todos os aspectos de sua vida pessoal. Este primeiro filme de Bates não me agradou no entanto. Apesar de algumas sequências brilhantes, o todo se mostrou uma experiência bem cansativa e pouco envolvente. Suburban Gothic, filme que é um terrir, ou seja, um terror de comédia, representa um salto de qualidade na carreira do diretor, que se mostra ainda mais ousado e disposto a fazer seu trabalho o mais criativo e fantástico o possível. Continuar lendo