Cub (2014-2015)

Welp

Sinopse: O jovem e imaginativo garoto de 12 anos de idade, Sam, vai para o acampamento com o seu grupo de escoteiros. Na floresta, ele se depara com uma estranha casa na árvore e com uma criança selvagem mascarada. Quando seus líderes ignoram suas advertências sobre o garoto misterioso, Sam começa a se sentir cada vez mais isolado do bloco, e convencido de que um terrível destino espera por todos eles. Enquanto isso, um homem misterioso começa a fazer vítimas nos arredores do acampamento. 

Direção: Jonas Govaerts 

Originalmente, o filme recebeu o título Welp, que é um termo extraído do holandês, um dos idiomas oficiais do país em que o filme foi produzido, a Bélgica. Em inglês, a palavra pode ser traduzida para Cub, que é empregada para identificar os filhotes de grandes animais carnívoros, como leões, lobos e ursos. No filme, o vocábulo é utilizado em dois sentidos: como referência aos escoteiros mirins – conhecidos em alguns lugares do Brasil como “lobinhos” – e como menção ao garoto selvagem, que é uma “cria” do predador/assassino que habita a floresta.

Gill Eeckelaert is Kai the feral boy, helper of the Poacher in Welp/CUB (Jonas Govaerts/Potemkino 2014).

Gill Eeckelaert é Kai o menino selvagem, ajudante do Caçador em Welp/CUB (Jonas Govaerts/Potemkino 2014).

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Centopeia Humana 3 – Sequência Final

The Human Centipede III – Final Sequence

Sinopse: O diretor da prisão mais violenta dos Estados Unidos, Bill Boss (Dieter Lasser), tem seu emprego ameaçado pela ineficiência de seus métodos que estão causando rombos no orçamento do estado. Em uma tentativa desesperada de manter o emprego, ele recorre a ideia de seu contador Dwight (Laurence R. Harvey), de criar uma prisão-centopeia-humana, a medida definitiva para controlar os presos e suprimir a violência. 

Direção: Tom Six

A franquia Centopeia Humana existe em um universo cinematográfico paralelo. Os filmes não possuem nenhuma qualidade cinematográfica real, sem diálogos complexos ou valor artístico. Também não é um filme com valor de entretenimento comum, por ter um conteúdo tão sádico e doentio. Seria então um daqueles filmes underground cultuados por fãs de cinema extremo? Na verdade, também não. O controverso e absurdo da franquia existe muito mais na própria ideia do que no conteúdo dos filmes. O original de 2009 por exemplo é um filme que tem algumas cenas chocantes, mas não impressiona mais que um Albergue da vida, no entanto, só o conceito claramente doentio foi suficiente para criar todo um misticismo em torno do filme. O segundo filme elevou o nível de perturbação consideravelmente, sendo um filme escatológico e nojento; no entanto, é um filme em preto e branco, o que reduziu drasticamente a intensidade. Claro que estes já não são filmes para o grande público, mas Tom Six conscientemente limita o quão doentio eles são e nunca abraçam completamente o intuito de fazer um filme sobre os cantos mais sombrios da mente. Existe uma aura em torno do filme, um charme de algo perturbador e doentio demais que atrai a curiosidade mórbida e causa desejo nas pessoas, mas quando esse desejo é finalmente saciado, percebem que se trata de apenas um filme chocante sem muito conteúdo. Continuar lendo

Corrente do Mal (2014-2015)

“It Follows”

Sinopse: Uma jovem mulher é perseguida por uma força sobrenatural após um relacionamento sexual. 

Direção: David Robert Mitchell

Corrente do Mal surgiu em 2014, nos festivais de cinema de terror pelo mundo. Em um ano em que o cenário estava fortíssimo com filmes incríveis como The Babadook e What We Do in the Shadows, o diretor estreante David Robert Mitchell passou igual um furacão, levando consigo elogios e mais elogios por seu filme brilhante. O filme foi agendado para lançamento nas plataformas VOD (Video sob demanda, ex: iTunes) no começo de 2015, após um lançamento limitado nos cinemas norte americanos. Filmes independentes raramente são lançados em grande escala, na proporção de um filme como Annabelle (2014) por exemplo, mas Corrente do Mal foi um sucesso tão grande nesse lançamento limitado, que em questão de dias tornou-se viável um lançamento em escala nacional. A estréia virtual foi adiada e vários cinemas por todo os Estados Unidos puderam exibir o filme. Considerando apenas a produção e o lançamento do filme, este já se qualifica como um marco do cinema independente, por ter conseguido um lançamento à nível nacional (nos EUA) baseado única e exclusivamente no sucesso de público e crítica, pelos poucos que tiveram acesso ao filme.

Mas fica aí a curiosidade, por que Corrente do Mal fez tanto sucesso? As razões são muitas! Continuar lendo

Nightlight (2015)

Sinopse: Nightlight é um suspense sobre cinco adolescentes jogando um jogo que dá terrivelmente errado em uma floresta, durante uma longa noite. O filme será contado de um ponto de vista singular, empregando um modo incomum de contar a história para aumentar o suspense. O sexto personagem do filme é a própria floresta, misteriosa e com um histórico de ser um local de esperança para jovens que pensam em suicídio. Nightlight tem elementos de suspense e terror, mas conta com personagens reais, com vidas emocionais e relacionamentos genuínos.

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Nightlight saiu de lugar nenhum, com um trailer brotando na internet em uma tarde chuvosa de domingo e se espalhando igual fogo de palha. O trailer causou um certo rebuliço online por algum motivo que desconheço, já que nada mais era do que uma série de cenas em primeira pessoa, indicando que o filme seria um Found Footage, ou seja, um destes filmes supostamente reais com as gravações feitas nos últimos momentos destes personagens. Além de cliché ao extremo, o trailer parecia entregar todo o filme e realmente o faz. Continuar lendo

Late Phases (2014)

Diretor: Adrián García Bogliano

Ambrose McKinley, um veterano de guerra cego, muda-se para uma casa de repouso e quando os residentes começam a aparecer mortos, ao que tudo indica atacados por um cão, ele logo percebe que há algo errado. Depois dele mesmo sobreviver a um ataque ele começa a crer que o assassino não é um mero cão.

Dentre os grandes monstros clássicos do cinema de terror O Lobisomem é aquele que teve a trajetória mais inconstante, com poucos filmes de grande sucesso. Sempre pareceu um subgênero marginalizado dentro de um gênero marginal. Enquanto seus frequentes inimigos, os vampiros, sofreram nas mãos de histórias e versões medíocres, o Lobisomem parece ter sido esquecido. 2014 no entanto chegou com o intuito de trazer os magníficos e brutais licantropos de volta aos holofotes, graças a filmes como “Wer”, “WolfCop”, “Wolves” e “Late Phases”. Sem nenhuma semelhança sequer entre si, fora a presença do monstro lupino, esses filmes variam de decepções – “WolfCop” talvez a maior delas – e boas surpresas – Wer e “Late Phases”. Optei aqui por escrever um comentário sobre “Late Phases” que considerei o melhor do ano, seguido de perto de “Wer”.

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Assim na Terra, Como no Inferno (2014)

“As Above, So Below”

Diretor: John Erick Dowdle

Sinopse: Um grupo de exploradores liderados por uma arqueólogo descem os misteriosos labirintos das Catacumbas de Paris em busca da câmara secreta do alquimista Nicolas Flamel, que pode guardar a lendária Pedra Filosofal, mas acabam se deparando com forças malignas.

Faz apenas alguns dias que “Assim na Terra, Como no Inferno” saiu repentinamente dos planos dos distribuidores e reforçou o contingente de filmes nunca lançados nos cinemas brasileiros por motivos sombrios. Para a satisfação daqueles que esperavam com ansiedade, o filme foi lançado em VOD (Vídeo sob demanda) e rapidamente caiu nas redes do pirate bay, por onde finalmente alcançou o público brasileiro. O que a princípio veio como notícia triste e desanimadora, se revelou uma benção, já que poupou inúmeros fãs de horror de pagarem por um dos produtos mais enganosos vendidos no mercado cinematográfico em 2014.

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Starry Eyes (2014)

Determinada em ter sucesso como uma atriz de Hollywood, Sarah Walker passa seus dias trabalhando em um emprego sem futuro, suportando amizades mesquinhas e indo em inúmeros testes de elenco na esperança de conseguir a sua grande chance. Após uma série de testes estranhos, Sarah consegue o papel principal em um novo filme de uma empresa de produção misteriosa. Mas a oportunidade vem com ramificações bizarras que irão transformá-la mentalmente e fisicamente.

Starry Eyes é uma mistura chocante de terror psicológico e físico que ainda dá um tapa de luvas em Hollywood.

Starry Eyes é uma mistura chocante de terror psicológico e físico e um tapa de luvas na cara de Hollywood.

Filmes financiados pelos fãs tem se tornado uma constante no cinema independente em Hollywood. Produções originais e ousadas encontram no bolso dos fãs o apoio que lhes foi negado por produtoras empenhadas em manter o ciclo de repetição que está aos poucos arruinando o cinema. “Starry Eyes” foi um dos últimos filmes a alcançar essa meta de financiamento. Nas mãos dos diretores e roteiristas Kevin Kolsch e Dennis Widmyer, os modestos 50 mil dólares de orçamento e míseros dezoito dias de filmagem, se tornaram apenas números. Continuar lendo